Curitiba- O traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, tornou-se o primeiro preso a ocupar uma das 208 celas da Penitenciária Federal de Catanduvas. Mas isso não alterou a rotina da cidade de 7,5 mil habitantes, que mostrou-se indiferente.
Esse não foi o principal tema nas rodinhas, onde a preocupação é com a segurança da cidade e com as consequências da estiagem. Uma indiferença que talvez tenha motivo na discrição com que o preso foi trazido de Brasília até a cidade. ''Por mim pode vir quem quiser, eu não conheço ninguém'', disse o comerciante Pedro Burcart. Apesar de ter seu bar às margens da PR-471, onde também está o presídio, no meio da tarde ele ainda não tinha certeza de que o traficante estava na prisão.
Doralina Antunes, funcionária da Alfabelle Confecções, praticamente vizinha à penitenciária, também não sabia o que estava acontecendo, apesar do tráfego constante de carros de reportagem. ''Não tenho nem noção'', enfatizou. ''Quem está lá dentro não vai fazer mal.''
O que chamou mais a atenção foi a agitação da Polícia Militar, que começou no fim da tarde de terça-feira. Durante o início da noite algumas viaturas acionaram as sirenes nas proximidades da edificação.
Ontem pela manhã o policiamento, sobretudo na rodovia, era bastante ostensivo. Algo que os moradores dificilmente vêem. Nos carros, os policiais apareciam agarrados a seus armamentos. ''A cidade normalmente é tranquila. Vamos ver agora o bicho que vai dar'', comentou Eloir Carniel. Ele também é daqueles que não se importam com os nomes dos criminosos. ''O que preocupa é quem vem atrás'', disse.
Mas, demonstrando sua contrariedade com o presídio na cidade, não perdeu a chance de criticar. ''Se fosse alguma coisa boa não viria para Catanduvas'', afirmou. Mesmo diante das promessas do governo federal de que, para compensar a cidade, vai implantar uma extensão da Universidade Federal Tecnológica, Carniel não escondeu seu descontentamento e debochou: ''A faculdade já está aí, agora estão chegando os professores.'' Ele tem o apoio de Luiz Antonio, morador próximo do presídio. ''Boa coisa aquilo não deve ser'', ressaltou.
Segundo ele, pouco importa que o primeiro preso tenha sido Fernandinho Beira-Mar. ''Alguém tinha que vir, pelo tempo que já foi inaugurada.'' Entregue em ato solene, com a participação do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, no dia 23 de junho, o presídio, já apelidado de Cadeião, passou a ser um destaque no cenário urbano da pequena cidade. Sobretudo à noite desponta soberbo, com dezenas de luzes e holofotes.
Moradora na cidade, Maria Satil disse que sua vida não será alterada com a presença de traficantes como Beira-Mar no presídio. ''Em momento algum tenho medo. Nós temos medo somente do que vem do céu'', afirmou, ressaltando sua condição de evangélica.

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