Moradores de Carananduba pedem saída de sem-terra
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sábado, 08 de maio de 1999
Por Carlos Mendes 
Belém, 09 (AE) - Cerca de 1.200 moradores da vila de Carananduba, na ilha de Mosqueiro, 58 quilômetros ao norte de Belém, vão entregar ao ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, ao prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues (PT), e ao governador do Pará, Almir Gabriel (PSDB), um abaixo assinado exigindo a saída imediata dos 600 invasores liderados pelo MST que há uma semana ocupam a fazenda Taba, de 800 hectares.
Segundo Antonio Albuquerque e Conceição Oliveira, que moram em Carananduba há mais de 10 anos e encabeçam o protesto, os sem-terra chegaram "criando confusões, fazendo ameaças e expulsando antigos moradores". Albuquerque responsabiliza o MST pelo que está acontecendo na vila. "O pessoal que invadiu a fazenda vive bêbado e anda armado de foice e facão". Para Oliveira, os sem- terra "roubaram a paz da comunidade". Eles dizem temer novas invasões em Mosqueiro.
A prefeitura de Belém, no entanto, não parece disposta a apoiar a retirada dos lavradores. O prefeito Edmilson Rodrigues já foi procurado pela direção do MST e prometeu criar um programa para transformar a fazenda Taba num centro de produção de frutas e hortaliças.
O líder do MST na Taba, Luiz Gonzaga da Silva, afirmou que os lavradores não pretendem deixar o local e negou as ameaças aos moradores de Carananduba. "Nós é que estamos sofrendo ameaças de morte por telefone. A toda hora ligam para a fazenda dizendo que vão invadí-la e matar os companheiros".


