Belo Horizonte, 24 (AE) - Centenas de moradores e funcionários da prefeitura de Belo Horizonte passaram o dia, hoje, tirando lama de casas, automóveis e ruas e contabilizando os estragos da forte chuva que atingiu a cidade, principalmente a região nordeste, na tarde de ontem, deixando três mortos e cerca de 400 desabrigados. Segundo a Coordenadoria Municipal de Defesa Civil (Comdec), o temporal, que começou por volta das 15h50 e durou 40 minutos, foi um dos mais fortes já ocorridos na capital.
"Nos dez minutos iniciais, conforme o 5º Distrito de Meteorologia, o volume da chuva atingiu 52 milímetros", disse o coordenador da Comdec, coronel PM Alaor Silva. "O nosso plano para atendimento emergencial estabelece o estado de alerta a partir de um volume de 50 milímetros, mas em três dias de chuva", acrescentou. O oficial informou que, dos 400 desabrigados em razão da tempestade, todos eles da Favela Vila Carioca, apenas 25 permaneciam em abrifgos da prefeitura, hoje.
"Ainda de madrugada, a maioria das pessoas que com casas inundadas pela água do córrego Cachoeirinha, nas quais fizemos vistorias, retornou aos seus lares para fazer a limpeza e ver o que dava para salvar", explicou. Na vila foram registradas duas das três vítimas fatais da chuva: o vendedor de cachorro quente Antônio Élcio Braz, de 52 anos, e a filha Gislene, de oito anos, afogados. De acordo com o Corpo de Bombeiros, os dois estavam no barracão onde moravam quando foram surpreendidos pela inundação.
O corpo de Antônio foi encontrado preso, debaixo da geladeria; a filha, resgatada por vizinhos, chegou a ser levada com vida para o Pronto-Socorro do Hospital João XXIII, mas não resistiu. A terceira morte ocorreu na Avenida Cristiano Machado, importante ligação entre as regiões norte e o central de Belo Horizonte. A estudante Érika da Costa Rodrigues, de 15 anos, foi levada pela enxurrada.
Pânico - Durante os 40 minutos de tempestade, que levaram o governador mineiro Itamar Franco (sem partido) a colocar em alerta máximo a Polícia Militar, os bombeiros e a Defesa Civil Estadual, motoristas e pedestres que estavam na avenida Bernardo Vasconcelos, no bairro Cachoeirinha, região Nordeste, viveram momentos de pânico. O córrego que divide as pistas transbordou em pouco minutos e transformou a avenida em um rio.
Automóveis ficaram totalmente encobertos, um ônibus cheio de passageiros ficou boiando e quem estava nas calçadas teve de se agarrar às árvores para não ser levado pela correnteza. Hoje de manhã, apesar de a chuva ter continuado fraca e ininterrupta, os moradores e comerciantes da região ocuparam-se em limpar suas casas e lojas contar os prejuízos. "Eu não via uma inundação dessas desde 1997, quando Minas Gerais inteira ficou debaixo dágua", disse o técnico em radiologia Tarcísio de Oliveira, morador da rua Matias Barbosa.
No local, segundo os bombeiros, sete automóveis ficaram totalmente encobertos, foram arrastados e se chocaram, uns com os outros. Também no Aeroporto da Pampulha, na zona norte, que teve o estacionamento e o saguão inundados e onde houve suspensão de pousos e decolagens, por cerca de uma hora, a situação voltou ao normal, hoje de manhã.
árvore - No centro da cidade, também pela manhã, um novo incidente, mas de menor gravidade que os ocorridos no dia anterior, foi registrado: uma árvore, condenada desde a tempestade de quinta-feira, caiu sobre um automóvel, causando perda total. Ninguém ficou ferido.
As chuvas atingiam todo o Estado, desde ontem, e deixaram em alerta a Polícia Rodoviária Federal. Segundo o plantão da corporação, até o meio-dia já tinham sido registrados 33 acidentes em estradas federais de Minas, com 46 feridos e 15 mortos.

mockup