Londrina - O problema da arborização em Londrina vai muito além da dificuldade em fazer a retirada das 3 mil árvores condenadas por laudos técnicos e da pequena estrutura da Secretaria Municipal do Ambiente (Sema). Em muitos loteamentos da cidade o problema é justamente a falta de árvores.
A Secretaria Municipal do Ambiente (Sema) informou que é responsabilidade da empresa que faz o loteamento apresentar um plano de arborização do local. O projeto vai para a aprovação da diretoria técnica da secretaria, que informa ao loteador, inclusive, a espécie que deverá ser plantada naquele local. ''A Sema faz vistorias e cobra que o plano de arborização seja cumprida a risca pela empresa'', afirmou a gerente de Áreas Verdes da Sema, Alexsandra Siqueira.
Nem sempre a fiscalização é eficiente e com isso os moradores sofrem com o calor e a falta de sombra.
No Residencial Vista Bela (zona norte), a reportagem da FOLHA percorreu diversas ruas e constatou que não existem árvores plantadas em toda a extensão das vias. De acordo com moradores, apenas no início da formação do bairro um caminhão com mudas foi visto no local. Somente duas ruas do residencial e o fundo de vale foram contemplados. Novas mudas nunca mais chegaram aos moradores. ''Quem tem árvore aqui é porque plantou por conta própria. Não é obrigação nossa fazer este trabalho'', reclama a dona de casa Valquíria da Silva Ribeiro, de 35 anos, moradora da Rua Celeste Couto Moura.
A dona de casa fez um cadastro na Sema e ganhou uma muda, que foi plantada há poucos dias em frente a sua residência. ''Meu filho sempre gostou de sentar embaixo de uma árvore que tinha na frente da nossa antiga casa. Quando viemos para cá ele continou com esta mania. Só que aqui ele tinha que ficar torrando embaixo do sol e por isso fui atrás para plantar'', relata Valquíria.
A moradora só está preocupada com a multa que pode levar se a planta não crescer. ''Em seis meses a Sema vai fazer uma vistoria aqui e se acontecer alguma coisa com a árvore durante este período eu ainda serei multada em um salário mínimo. Eles não fazem nada e podem me multar? É lamentável.'' A dona de casa fez uma proteção de madeira e tela para evitar que vândalos arranquem a muda. A gerente da Sema negou que exista multa prevista se acontecer alguma coisa com a planta doada pela secretaria.
De acordo com Alexsandra Siqueira, a empresa responsável pela construção do Vista Bela não cumpriu o acordo firmado para o projeto de arborização do bairro. A diretoria da secretaria ainda estuda de que forma vai proceder em relação a este descumprimento. ''A situação no Vista Bela é bem precária e realmente falta muita árvore. Mas vamos continuar cobrando porque a empresa tem a responsabilidade de arborizar a região'', explicou a gerente.
No Jardim Santa Alice (zona leste), que recebeu as primeiras casas há oito anos, a reclamação é a mesma. O técnico em raio-X Leandro Cléber Luptowicz, de 37 anos, mora no bairro desde 2009 e não tem nenhuma árvore plantada na frente de sua casa. O problema se repete no restante da Rua Francisco Escudeiro. ''Realmente aqui no bairro tem poucas árvores. Faz muita falta, sobretudo, neste calor que está fazendo. A prefeitura tinha que fazer este papel para termos mais conforto'', reivindica o morador. O Jardim Chamonix, bairro vizinho, também tem poucas árvores plantadas nas ruas.
Sem regras claras para o plantio de novas mudas, os moradores ficam em dúvida quando decidem plantar uma árvore. ''Aqui no Vista Bela as casas são geminadas e ficam em apenas um terreno. Onde devemos plantar? Na frente de qual casa? Ou na divisa entre as duas? Qual espécie é a mais apropriada para o bairro?'', questiona o pedreiro José Adílson Mariano, de 40 anos.
''Se tivessem sido plantadas quando estavam fazendo as casas, hoje teríamos sombra em todo o bairro. Faltou planejamento. O calor aqui é insuportável'', aponta o morador.
O projeto de lei que institui o Plano Diretor de Arborização foi aprovado por parecer prévio da Comissão de Justiça da Câmara de Vereadores em 2010 e devolvido para a Sema. A audiência pública para apreciação da comunidade está marcada para o dia 24, às 8 horas, na Câmara.

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