Moradores da Mitacoré têm benefício judicial
Valmir Denardin
De Foz do Iguaçu
A juíza de São Miguel do Iguaçu (45 quilômetros a nordeste de Foz do Iguaçu), Sandra Gayer, concedeu medida que estabelece multa diária de 1 salário mínimo (R$ 136,00) ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), se os sem-terra que ocupam a Fazenda Mitacoré tentarem expulsar de suas casas as oito famílias de ex-funcionários da propriedade que ainda permanecem na área. Essas famílias alegam que estão sendo forçadas, por meio de ameaças e pressões, a deixar a fazenda. Líderes regionais do MST negam as acusações.
Das 17 famílias de ex-funcionários, nove já deixaram a fazenda e estão acampadas em frente à Cúria Diocesana de Foz do Iguaçu. Elas acusam integrantes da Igreja Católia, entre eles o bispo Dom Olívio Fazza, de apoiar a suposta iniciativa do MST. O bispo nega.
A medida judicial chamada de interdito proibitório foi expedida pela juíza anteontem e passará a ter valor legal quando líderes do acampamento receberem a notificação, o que deve ocorrer hoje. O advogado Amauri Garcia Miranda, que representa o grupo de famílias, disse à Folha que agora ingressará na Justiça com um pedido de reintegração de posse para garantir a volta à fazenda das famílias acampadas em Foz.
Miranda também encaminhou à Polícia Civil representação criminal contra líderes do MST na Mitacoré, a quem acusa de ameaça, constrangimento ilegal, cárcere privado e formação de quadrilha. Com 1.098 hectares, a Mitacoré pertence ao governo federal, depois que o Grupo Bamerindus, antigo proprietário, sofreu intervenção do Banco Central.





