Moradores da Casa do Estudante são detidos
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terça-feira, 29 de setembro de 2009
Caroline Vicentini<br> Reportagem Local 
Londrina - Cinco moradores da antiga Casa do Estudante da Universidade Estadual de Londrina (UEL) foram detidos na tarde de ontem por tentarem impedir que funcionários da Sanepar realizassem o corte de água do imóvel, um hotel alugado na Avenida São Paulo, no centro de Londrina.
Segundo o coordenador de comunicação da UEL, Pedro Livoratti, a instituição pediu na semana passada que a Copel e a Sanepar interrompessem o fornecimento de luz e água, respectivamente. Cerca de 20 estudantes não contemplados com vagas na nova Casa do Estudante, localizada no campus, resistem à desocupação do imóvel, cujo contrato de aluguel venceu há quatro meses. Atualmente, há inclusive uma criança no local, filha de uma das moradoras.
O Pelotão de Choque foi acionado para resguardar a integridade dos funcionários da Sanepar. De acordo com a segunda-tenente Manoella, da Polícia Militar, quando os policiais chegaram os estudantes estavam deitados na frente da retroescavadeira, que seria utilizada para abrir um buraco dando acesso à rede de água. Segundo testemunhas, houve uso da força policial. Os policiais machucaram os nossos colegas, deram coronhadas e chutes na barriga, além de puxarem o cabelo deles, afirmou a estudante de Ciências Sociais Ana Karina Cordeiro de Souza. Eles protestavam pacificamente e os policiais chegaram apontando as armas. Foi exagerada a ação do Choque, criticou o estudante Adriano Reis.
Um dos estudantes foi encaminhado ao Hospital Universitário (HU). A assessoria de imprensa do HU informou que ele estava consciente e ia fazer uma radiografia. A confusão provocou tumulto no trânsito e chamou a atenção de um grande número de pessoas. Até o fechamento desta edição os quatro manifestantes estavam sendo ouvidos pela polícia e assinariam um Termo Circunstanciado de Infração Penal (Tecip).
A UEL conseguiu em junho o mandado de reintegração de posse do imóvel, até agora não cumprido pelo Estado. Segundo o diretor do Serviço de Bem Estar Social da UEL (Sebec), Oswaldo Yokota, os ocupantes da casa são alunos da pós-graduação e têm condições de se manter. Eles não se inscreveram no processo seletivo para admissão na Moradia Estudantil, assegurou. A UEL possui uma despesa mensal com o imóvel de cerca de R$ 16 mil entre aluguel e pagamento de contas de água, luz e telefone. Por quatro anos, a Universidade manteve o hotel, abrigando pouco mais de 100 alunos. Na atual Moradia Estudantil, inaugurada em maio, residem 82 alunos.


