Londrina- Moradores do Jardim Igapó (zona sul de Londrina) impediram o trânsito na Avenida Inglaterra no final da tarde de ontem para protestar contra a falta de medidas efetivas contra o excesso de velocidade na via. A indignação aumentou com a morte, na manhã de ontem, de Argelino Munhoz, de 74 anos, que foi atropelado no dia 11 de julho, nas proximidades da esquina com a Rua Irã.
Munhoz morreu após sofrer uma parada cardiorrespiratória decorrente do agravamento de seu quadro clínico. Ele foi atingido por uma moto enquanto atravessava na faixa de pedestres no dia 11 de junho. Testemunhas afirmaram que um carro havia parado para que Munhoz fizesse a travessia, mas a moto não obedeceu a sinalização.
A manicure e cabeleireira Cássia Valéria de Oliveira colocou faixas pretas cobrindo as placas do programa Pé na Faixa e exibiu cartazes de protesto. "O Argelino era uma pessoa muito querida por todos do bairro. É duro uma pessoa perder a vida por ignorância dos outros e pela falta de uma lombada ou de uma faixa elevada", afirmou.
Os manifestantes colocaram pneus e sacos de lixo para bloquear o tráfego nos dois sentidos. Os veículos puderam contornar a quadra para que o trânsito não ficasse totalmente parado. A representante da Associação de Moradores do Jardim Igapó, Tereza Mendes de Souza, reclamou que não é o primeiro acidente fatal na Inglaterra. "Há mais de dez anos reclamamos do perigo envolvendo a alta velocidade dos carros nesta avenida", declarou.
Irmão de Argelino, Valter Munhoz disse que desde o acidente foram tomadas algumas providências, como a colocação de placas com limite a velocidade e a intensificação da fiscalização por meio de radares móveis. Medidas, que na opinião dele, se mostraram ineficazes, já que o abuso de velocidade persiste.
O veterinário Paulo Roberto Haas e o servidor aposentado Antônio Laerte Tamanini testemunharam o acidente de Munhoz e afirmam que as placas e os radares são insuficientes. "Depois do acidente eles vieram aqui apenas duas vezes e ficaram uma hora e meia e depois foram embora. Isso não adianta nada", reclamou Haas. Tamanini também cobrou a instalação de uma faixa elevada ou de um semáforo.
A assessoria da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) explicou que a definição da implantação de faixas elevadas e semáforos é incumbência do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul). A reportagem tentou contato com Sandro Nóbrega, presidente do instituto, mas o telefone dele estava na caixa postal. A reportagem também fez contato com a assessoria de comunicação da prefeitura, mas até o fechamento da edição não obteve retorno sobre o pedido de entrevista.

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