Moradores apóiam manifestação
Brasília, 23 (AE) - A três dias da Marcha dos Cem Mil a maioria das pessoas consultadas hoje em Brasília desconhecia os motivos da manifestação, mas apoiava o protesto. "Cem mil o quê?", pergunta Robson Correa da Silva, de 20 anos, balconista de uma pastelaria na Estação Rodoviária. "Ah, soube que estão vindo uns sem-terra pra se juntar com os caminhoneiros e fazer uma bagunça." Quanto ao motivo da passeata, é difícil encontrar alguém satisfeito com o presidente Fernando Henrique mesmo entre os desinformados. "Eu não sei, mas ao mesmo tô sabendo de alguma coisa", diz, enigmático, o baleiro Divaldo José Serafim, de 46 anos. "Eu acho que a gente devia tirar o homem de lá, botar alguém melhor." Depois, reflete um pouco, passa a mão nos cabelos. "O problema é que o outro pode jogar na nossa cara, que nem fez o Itamar Franco, que não pediu para entrar."
O mineiro Serafim, de 46 anos, esquiva-se: "Eu é que não quero saber disso, só de vender minhas coisinhas." No dia da passeata ele vai montar o tabuleiro de balas, doces e chocolates no mesmo lugar, na Rodoviária, bem longe da confusão. Pelo menos é o que espera. "Se eu parar de trabalhar um dia, meus filhos passam fome."
João Oliveira Filho, de 19, que trabalha na lanchonete Mar Del Plata, na mesma estação, até participaria do protesto se não precisasse trabalhar. "Eu ia gritar fora FHC até ficar rouco", diz. "Ele só congela os salários enquanto todas as outras coisas estão em alta, cada vez mais caras." Se tiver "disposição" o engraxate Anderson Alves de Oliveira, de 17 anos, vai participar da passeata. "É por causa do FHC, da Petrobrás, não sei quê lá, não é?"
O jardineiro da Prefeitura Mauro Libério Costa, de 42 anos, disse que não sabia da manifestação, mas apóia a iniciativa. "Esse presidente é uma negação. Se dependesse de mim, já estava fora." Conhecida como "Rua das Farmácias", a CLS 102 é tradicional passagem para blocos carnavalescos e já foi palco de arrastões no passado. Na Marcha dos 100 Mil, o local deve ser um dos pontos de encontro dos participantes, por volta de 6 horas. O sub-gerente da farmácia Santa Marta, Carlos Donizete da Silva, conta que poderá abrir mais tarde para se proteger de qualquer tumulto. Mas pensa que a situação sócio-econômica do País justifica o protesto organizado pela oposição e as centrais sindicais, mas não pretende participar diretamente da manifestação. "Tenho de trabalhar", alega.
O dono da àtica Guanabara, Josafá Macedo, concorda com Donizete. "Protesto lá, eu cá", diz, reconhecendo que a situação do Brasil não é das melhores. "O povo está sendo arrochado e o governo faz o jogo do Fundo Monetário Internacional (FMI)."





