Fátima Ferraz, moradora do apartamento 802, já estava na calçada em frente ao prédio, quando se lembrou que as fantasias com as quais desfilaria na Unidos da Tijuca e na Caprichosos de Pilares haviam ficado para trás. Apaixonada por carnaval, convenceu a mãe a subir com ela em busca dos trajes. Foi nesse exato momento que parte do prédio desabou. ‘‘Ela gritou pela mãe e foi embora junto com o apartamento’’, contou Murilo Ferraz, tio de Fátima, chorando.
Assim como Fátima, outros três moradores que estão desaparecidos também desobedeceram à orientação da Defesa Civil e voltaram a subir a seus apartamentos. O defensor público Gilberto Manescky desceu junto com a mulher Margarida, tão logo ouviu-se o primeiro estrondo, às 24h50. Manescky deixou a mulher na calçada em frente ao prédio e voltou. O prédio desabou e ele não foi mais visto.
Leonel Benevides, de 18 anos, que também está desaparecido, foi outro que também voltou ao prédio depois da retirada dos moradores. Morador do apartamento 1702, ele desceu com a mãe, o pai e a irmã, tão logo foi dado o primeiro alarme de que o prédio poderia desabar. Na confusão que se instalou na rua, Leonel sumiu. Alguns amigos do rapaz disseram que ele teria voltado ao apartamento para comer alguma coisa. Outros, no entanto, disseram que ele estaria na portaria quando o prédio veio abaixo.
Outro morador desaparecido é o engenheiro aposentado, Gerard, do apartamento 301. Várias pessoas o viram antes do desabamento batendo de porta em porta, alertando os moradores do perigo iminente. Depois, não tiveram mais notícias dele. (AE)

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