Morador tapa buracos na rua onde mora
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quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
Vítor Ogawa<br> Reportagem Local 
Londrina - O motorista Propécio Ribeiro da Silva, de 65 anos, resolveu tapar por conta própria os buracos que ficavam em frente de seis casas da via onde mora, a Rua Sertanópolis, no Conjunto Lindóia (zona leste).
Silva diz acompanhar as notícias de que a prefeitura tem enfrentado problemas de caixa, e que provavelmente o recape das ruas de seu bairro ficaria para fevereiro do ano que vem. Com medo de que os buracos aumentassem ainda mais, ele resolveu tomar uma atitude que surpreendeu seus vizinhos: comprou cimento, areia e pedra e resolveu preencher cada um dos mais de 40 buracos.
Esta não é a primeira vez em que o motorista toma essa atitude. "Há dez anos, quando surgiu uma buraqueira enorme na minha rua, eu mesmo consertei e até hoje esses buracos não abriram mais. O concreto continua lá", garante, acrescentando que não realizou o reparo para querer aparecer (tanto que não quis nem ser fotografado). "Eu fiz isso porque cada vez que um caminhão passava por esses buracos minha casa tremia e estava afetando toda a estrutura. Havia um risco enorme de aparecerem rachaduras", justifica.
O morador até dá a "receita" para quem quiser tapar os buracos: "É só juntar 3 latas de areia, 3 latas de pedra, 1 saco de cimento e um pouco de água". Ele diz que gastou cerca de R$ 200 para fazer o reparo.
Questionado se não se importava de pagar pelo mesmo serviço duas vezes, já que ele paga impostos que deveriam garantir recursos para a obra, ele foi enfático: "Já me sugeriram que eu fizesse um protesto, mas eu prefiro não reclamar e achar uma solução para o problema".
Perto dali, na Rua Mandaguari, o servidor público aposentado Aparecido Ângelo Cazula, de 83, lamenta que jamais teria condições de fazer o mesmo que Silva. "Eu sou aposentado e ganho um salário mínimo por mês para comprar a comida, meus remédios e os tributos da minha casa", argumenta. Segundo ele, os buracos na rua existem desde 2008.
Na Rua Mandaguaçu, a dona de casa Delci de Cássia, de 72, relata que várias vias do bairro estão esburacadas, principalmente em cruzamentos. "Fica muito perigoso."
Sua vizinha Vilma Banhos, de 56, acrescenta que muitos motociclistas trafegam em alta velocidade e acabam colocando os pedestres em perigo. "Se eles não desviarem, caem no buraco. Se desviam podem atingir a gente. Até para motoristas de carros de passeio a via ficou perigosa", ressalta.
Recesso
A Secretaria de Obras informou que as empresas que realizam o recape asfáltico estarão em recesso até o dia 6 de janeiro e só depois prosseguem com o cronograma, priorizando as vias onde há um fluxo grande de ônibus de transporte coletivo, seguido por vias de fluxo intenso de veículos.
Até o fim deste ano uma equipe da usina de asfalto permanecerá em atividade realizando o serviço de tapa-buracos mediante as reclamações protocoladas na Secretaria de Obras e também de acordo com o que a equipe da própria pasta definir como prioridade. Ao todo a usina tem produzido 50 toneladas ao dia para esse fim. A secretaria não informou quando esse serviço será realizado no Conjunto Lindóia.
Segundo o secretário da pasta, Sandro Nóbrega, da demanda de quase dois milhões de metros quadrados de asfalto em todo o município, foram recapeados cerca de 160 mil.


