Morador ouviu estrondo e só viu a lama descendo
O engenheiro Alberto Crespo, de 40 anos, morador de um condomínio atingido pelo deslizamento de terra ocorrido na Rua Espírito Santo, no bairro Quitandinha, em Petrópolis, tentava ontem desobstruir a entrada principal. ''Estava dormindo quando ouvi um estrondo. A gente só viu a lama descendo; não dava nem para ver os barracos'', disse, referindo-se às moradias localizadas na encosta, destruídas pela avalanche. Os moradores da rua, a maioria de classe média, abandonaram o local. Quem preferiu ficar passou o dia sem luz e sem telefone.
Crespo foi com sua mulher para a casa dos pais, em outro bairro de Petrópolis. Ele se lembrava a todo momento de uma cena da tragédia: quando viu uma mulher que passava pela rua ser arrastada pela lama.
''Parecia o fim do mundo. A gente nunca pensou que pudesse acontecer uma catástrofe dessas. Aqui, ninguém teve Natal'', disse a economista Adriana Mercaldo, de 27 anos, vizinha do engenheiro. Ela disse que vai alugar um apartamento e só voltará para a casa onde mora desde junho quando a situação tiver melhorado.
Quatorze pessoas que viviam na mesma casa no bairro de Quitandinha, o mais afetado pelo temporal, morreram anteontem. O proprietário da casa era Plácides Neto da Silva, que vivia no local com sua mulher Amélia de Souza da Silva, 53, e mais 12 pessoas. Com a força da água, a casa -de classe média baixa e localizada no alto do morro- cedeu e rolou uma encosta de mais de 100 metros.





