Mário CésarNa marraO segurança Roberto Minas: ‘Fui até lá para fazer um alerta’As famílias de sem-teto que ocuparam o fundo de vale do jardim Ruy Virmond Carnascialli, zona norte de Londrina, estão com medo de ser retiradas à força do local por alguns moradores da região. Ontem de manhã e também no último sábado, os sem-teto chamaram a Polícia Militar (PM) para denunciar as ameaças, sobretudo por parte de Roberto Minas, que mora a uma quadra do local invadido. No sábado à noite, segundo os sem-teto, alguns moradores já teriam forçado a saída de outro grupo de invasores, que estava acampado em área próxima ao fundo de vale, em frente à casa de Minas.
‘‘Lá devia ter umas 12 famílias. Ele (Minas) arrumou uma turma e queimou os barracos. E ainda estava armado, ameaçando as pessoas’’, disse Marcelo Nazareth Pedroso, que está no assentamento com a mulher e dois filhos. Ontem de manhã, segundo os sem-teto, Minas teria ido até o fundo de vale - onde permanecem cerca de 10 famílias - e feito novas ameaças. ‘‘Ele chamou a gente de vagabundo e disse que vai fazer aqui o mesmo que fez com o outro pessoal. Disse que amanhã tira a gente daqui’’, afirmou Rosano Batista Pereira, também acampado no local com a mulher, que está grávida.
Ainda segundo os sem-teto, a orientação da PM foi de que não reagissem caso moradores tentem retirá-los à força do fundo de vale. ‘‘Ninguém quer briga. Se ele chegar aqui a gente não vai fazer nada, não vai agredir. Vai só chamar a polícia e esperar’’, completa Fábio Ricardo da Conceição, que está no acampamento com a mulher e três filhos. Segundo ele, a maioria dos moradores que residem em frente ao fundo de vale não quer que eles saiam dali, já que o local antes estava abandonado. Fábio Conceição conta que esses moradores frequentemente oferecem ajuda aos acampados.
‘‘Sou morador, não invasor. A ameaça é deles. Moro aqui desde 1977 e quero viver em paz’’, afirmou ontem Roberto Minas. Segundo ele, no sábado os próprios moradores do bairro decidiram pedir a saída do grupo de sem-teto da área próxima ao fundo de vale. Isso foi feito, ele diz, ‘‘pacificamente’’. ‘‘Conversamos e eles saíram. Não houve ameaça. Eu não estava armado’’, garante. Ele acrescenta que tem porte e registro de arma porque trabalha como segurança. ‘‘É minha profissão.’’
Roberto Minas afirmou também que ontem de manhã foi até os barracos em frente ao fundo de vale apenas para perguntar o motivo da invasão. Ele negou, novamente, que tivesse feito ameaças. ‘‘Eu me sinto revoltado com isso, mas não ameacei ninguém. Fui lá até para fazer um alerta.’’
Apesar de negar as ameaças, Minas diz que, ‘‘se for vontade da população’’, os sem-teto poderiam ontem à noite ou hoje de manhã serem expulsos do fundo de vale. ‘‘O mesmo direito que eles têm de invadir nós temos de retirá-los.’’

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