Fortaleza - O lavador de carros e morador de rua José Silva Sousa, de 43 anos, foi queimado vivo na madrugada de sábado, em uma esquina de Fortaleza. Suspeita-se que um outro morador de rua - ainda não identificado - tenha praticado o crime. José dormia sob uma marquise, localizada no cruzamento da Avenida Antônio Sales com Rua Joaquim Nabuco, na Aldeota, bairro nobre de Fortaleza. Ele teve 90% do corpo queimado. Chegou a ser socorrido por populares que estavam em um bar nas proximidades e foi levado ao Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) da unidade central do Instituto Dr. José Frota (IJF), emergência pública. Ma não resistiu e acabou morrendo às 13h30.
O fotógrafo Dráwlio Joca viu quando José corria com o corpo em chamas. ''Foi uma cena bárbara'', disse Joca. Ele e outras pessoas que estavam no bar ''O Arlindo'' ajudaram a abafar o fogo usando extintores e as próprias roupas. De acordo com a jornalista Ethel de Paula, no chão, estendido enquanto aguardava a chegada da ambulância, José perguntou se não podia tomar banho.
Ele deu entrada no IJF, em estado gravíssimo, com queimaduras de 2º e 3º graus. De acordo com o médico Paulo Régis Teixeira, diretor do CTQ, José foi sedado e foram feitos curativos a fim de baixar a temperatura e evitar que os órgãos internos fossem atingidos.
O corpo do lavador de carros foi necropsiado domingo no Instituto Médico Legal de Fortaleza. Até o final da tarde, ninguém da família havia aparecido. Um amigo da vítima, Francisco Laudemir de Sousa Santiago, ficou chocado ao saber da tragédia.
Segundo ele, José nunca disse para os amigos se tinha parentes. ''Conhecia ele há mais de três anos. Ele não merecia isso, não fazia mal a ninguém'', afirmou Francisco. A polícia cearense começou a ouvir testemunhas, mas ainda não sabe quem teria ateado fogo em José e nem as razões do crime.

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