Morador de rua é condenado pela morte de cabeleireiro em Londrina
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sexta-feira, 18 de maio de 2018
Rafael Machado<br>Grupo Folha 
O juiz da 4ª Vara Criminal de Londrina, Luiz Valério dos Santos, condenou Roge de Souza Silva, 29 anos, a 26 anos e 130 dias em regime fechado pelo latrocínio (roubo seguido de morte) do cabeleireiro Sandro José da Silva, 39, ou Tagliari, como era conhecido dos amigos, em junho de 2017. Ele foi encontrado nu, amordaçado e com diversas lesões pelo corpo por pessoas que passavam ao lado de uma plantação de milho da Estrada Velha do distrito da Warta, na região norte. O IML (Instituto Médico Legal) confirmou que a vítima foi estrangulada.
Roge Silva, que é morador de rua, foi preso por policiais civis da 10ª SDP (Subdivisão Policial) depois de ficar escondido na mata do Marco Zero, região leste. Para o delegado Thiago Vicentini, responsável pelo caso, Sandro deixou um bar da Avenida Bandeirantes para se encontrar com o agora condenado nas imediações da Catedral Metropolitana. Silva estava acompanhado de Valdir Mariano, o "Avatar", que fugiu e só terminou preso em março deste ano.
Depois do encontro, os três foram até um motel da Avenida Nassim Jabur, no Jardim Paulista, zona norte, ainda de madrugada. Silva e Mariano comunicaram o assalto e começaram a espancar o cabeleireiro, que não pôde reagir. Desacordado e bastante machucado, ele foi colocado no banco traseiro de seu próprio carro, um Punto, e levado até a estrada rural. No dia seguinte, Roge Silva entregou o veículo a um autônomo, denunciado pelo Ministério Público por receptação. Ele vendeu o automóvel a um mecânico por R$ 2 mil, valor bem abaixo do preço de mercado, atualmente em mais de R$ 33 mil.
O carro de Sandro Tagliari foi localizado por policiais militares em Iporã, no Noroeste. Silva confessou o envolvimento no crime durante interrogatório no Fórum, mas jogou a responsabilidade pela morte do cabeleireiro para Valdir Mariano. "Eu não participei de nada, minha participação foi de vender o carro. Esse foi o meu erro", admitiu ao juiz Luiz Valério dos Santos. O mesmo magistrado é responsável pelo processo de "Avatar", que continua preso. As primeiras testemunhas devem ser ouvidas no dia 12 de setembro. A FOLHA não conseguiu contato com a defesa de Roge Silva.
Para Santos, "o fato (latrocínio) praticado pelo réu (Roge Silva) é culpável, sendo o acusado inteiramente capaz de entender o caráter ilícito e de adequar sua conduta à essa compreensão". Depois da confirmação da morte do cabeleireiro e da localização do carro dele, investigadores não tiveram dificuldade em encontrar o autônomo que recebeu o Punto de Silva. À Polícia Civil, ele reconheceu que o automóvel era produto de roubo. Ele foi condenado a um ano e seis meses em regime aberto por receptação e deverá prestar serviços comunitários a uma jornada correspondente a 545 horas.


