Curitiba Todo o esforço do Brasil para suplantar as divergências internas e se aliar à maioria dos países signatários do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança que defendem regras claras para identificação dos organismos vivos modificados (OVMs) nas movimentações transfronteiriças pode ter sido em vão, salvo mudanças de última hora. Depois de quatro dias de intensa negociação, as delegações dos 132 países membros do tratado não haviam chegado a consenso, pelo menos, até o início da noite de ontem.
A 3 Reunião das Partes do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança (MOP-3), em Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, termina hoje. Na falta de senso comum, toda negociação vai por água abaixo e o assunto volta à pauta na MOP-4. O racha ficou por conta do Paraguai, que decidiu pela norma mais flexível (pode conter), e a Nova Zelândia, que manteve a posição manifestada na MOP-2, em Montreal, no Canadá, ou seja, pode conter.
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que venceu a queda-de-braço com outros ministérios, que eram contra a identificação rígida, ainda mantinha o otimismo. Na tarde de ontem, quando chegou ao ExpoTrade para participar das conversas e, também, exercitar seu poder de persuasão, disse que acreditava na ''liderança fraterna'' do Brasil para resolver o impasse.
Representantes de organizações não-governamentais (ONGs), que acompanham as negociações, tentavam pressionar as delegações paraguaia e neozelandesa para que revissem sua posição.
Pela manhã, na abertura dos trabalhos, cerca de 1,3 mil integrantes do movimento Via Campesina fizeram uma manifestação na área do ExpoTrade para cobrar o consenso e a implantação do protocolo. ''Nós recepcionamos as delegações para sinalizar que a sociedade civil organizada está de olho nas negociações'', disse o representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT), entidade ligada à Via Campesina, Temístocles Marcelus.
Jorge Galhano, do Movimento Agrário Popular do Paraguai, disse que a mudança de posição da delegação de seu país foi uma surpresa para as ONGs, pois o poder público paraguaio assume postura de cautela com relação aos transgênicos. ''Queremos manifestar nosso desprezo pela postura da delegação, pois não apresenta os interesses do nosso povo, mas das corporações multinacionais'', declarou. Galhano não descarta pressão da vizinha Argentina, que é uma das maiores exportadoras de soja transgênica e não é parte no tratado internacional.
A posição do México, também, era uma incógnita. O chefe da delegação, Marco Meraz, havia manifestado a defesa do ''pode conter'', acrescentando outras informações, mas também teria mostrado simpatia pela proposta brasileira.
Para o ativista do Greenpeace do México, Gustavo Ampugnani, a posição é preocupante. ''A delegação mexicana não está demonstrando interesse em proteger a diversidade do milho que existe no meu País'', criticou.

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