São Paulo, 02 (AE-Dow Jones) - A Moodys Investors Service divulgou relatório em Nova York afirmando que os acontecimentos recentes deverão afetar negativamente as perspectivas de médio prazo para a qualidade de crédito dos bancos brasileiros, na forma de mais enfraquecimento dos fundamentos financeiros e mais consolidação no sistema. No curto prazo, porém, os efeitos diretos da desvalorização do real nos balanços dos bancos podem ser considerados administráveis no caso da maior parte do sistema, dado o grau de preparação das instituições.
Segundo a agência, os bancos brasileiros estavam relativamente protegidos da desvalorização por meio de mecanismos de hedge e posições "compradas" em dólar que, na maioria dos casos, resultaram em ganhos consideráveis. A Moodys disse acreditar que o sistema bancário brasileiro está, no momento, bem posicionado, embora os fundamentos financeiros dos bancos possam enfraquecer com o tempo, à luz do aprofundamento da recessão. "O sistema bancário ainda está subalavancado e com bom nível de reservas, com os créditos representando uma porção relativamente pequena dos balanços.
Os bancos brasileiros continuam a relatar níveis de capitalização acima das exigências do Banco de Compensações Internacionais e das locais, o que pode funcionar como um escudo contra uma preocupação óbvia para os próximos meses - o espectro de uma forte deterioração na qualidade dos ativos", diz o relatório. "A volatilidade persistentemente alta no mercado de câmbio e o fluxo contínuo de dólares para fora do País, apesar da aprovação de medidas fiscais importantes pelo Congresso brasileiro, estão alimentando preocupações quanto à capacidade do governo federal de honrar sua dívida interna. A complexidade da estrutura da dívida torna difícil prever os efeitos de uma reestruturação, qualquer forma que ela assuma, nos balanços dos bancos.
"Podemos prever que uma reestruturação da dívida seria desastrosa para a liquidez e os níveis de capital dos bancos, considerando a posição dos bancos como os principais detentores de títulos do governo, com 60% da quantia total", prossegue o texto. A Moodys rebaixou os ratings dos bônus e depósitos dos bancos brasileiros para B2 e CAA1, respectivamente, em seguida ao rebaixamento dos ratings do Brasil.
"Nós também revisamos os ratings de solidez financeira de instituições selecionadas, de modo a ajustar seus ratings a um ambiente de maior risco percebido. O risco de default, portanto, foi apropriadamente identificado e qualquer necessidade de novas mudanças nos ratings de solidez financeira dos bancos brasileiros será feita numa base caso-a-caso, talvez resultando em rebaixamentos seletivos", conclui o texto.

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