São Paulo, 25 (AE) - Entre representantes de entidades de defesa dos direitos humanos, o clima é de impaciência diante do modelo falido, perpetuado pela Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem). "O que temos é uma reprodução piorada do sistema carcerário", afirma o oficial de Políticas Públicas e Direitos Mário Volpi, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), ligado à Organização das Nações Unidas (ONU).
"Não há mais como reestruturar a fundação", acredita. Em sua opinião, melhor seria dissolver o modelo existente, investindo imediatamente na criação de uma entidade que trabalhasse sob outros moldes - em prédios para poucos jovens, divididos por tipo de delitos cometidos, compleição física e idade, com funcionários capacitados e um projeto educacional definido.
O coordenar da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Pedro Dalari, também lamenta a reprodução do modelo carcerário e defende ações rápidas. "Como medida de emergência, o governo poderia alugar imóveis para os menores, no interior", sugere. Para ele, o grande problema da Febem é o prolongado mau gerenciamento. Segundo Volpi, o governo brasileiro pode ser interpelado por entidades internacionais de defesa dos direitos humanos por causa da maneira como os menores infratores estão sendo tratados na Febem. Raiva - "Lá dentro está tudo queimado, destroçado", comentou o padre Júlio Lancelotti, ao deixar o complexo. "Eles dormem com raiva e acordam com mais raiva ainda", disse o cardeal arcebispo de São Paulo, Claudio Hommes. (Colaborou José Gonçalves Neto, especial para a AE)

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