Agência EstadoFORÇA DAS ÁGUASO fusca foi arrastado e amassado como papel pela força das águas, na periferia de Ouro Preto

OURO PRETO - Depois de quatro dias de chuvas intensas, que provocaram desabamentos e 13 mortes, a cidade de Ouro Preto, de 70 mil habitantes, patrimônio histórico da Humanidade, corre o risco de sucumbir. O governador em exercício de Minas Gerais, Agostinho Patrus, visitou ontem a cidade e admitiu que pelo menos dois monumentos históricos estão ameaçados pelas enxurradas: a Igreja de São Francisco de Assis e a Santa Casa de Misericórdia.
A Igreja de São Francisco de Assis, que tem o pórtico esculpido por Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, e pintura feita pelo artista plástico Athaide, estaria com a estrutura subterrânea trincada, segundo o prefeito José Leandro Filho.
A Santa Casa de Misericórdia, que funciona em um prédio construido no início do século XVIII, está instalada à beira de uma encosta que deslizou com as chuvas. Outro monumento que teria sido afetado com as chuvas é a Igreja do Rosário, cujo teto já cedeu.
O prefeito Leandro Filho diz que a situação de Ouro Preto é caótica, já que está faltando água e energia elétrica em quase toda a cidade. ‘‘O prejuízo é inestimável e nós precisaríamos de pelo menos R$ 10 milhões para fazer as obras necessárias nos monumentos’’.
Patrus acrescentou que a cidade precisa de verbas imediatamente e não pode esperar pelo repasse de US$ 6 milhões prometidos pelo Banco Mundial. ‘‘Conversei com o presidente Fernando Henrique e com o ministro da Cultura, Francisco Weffort, e eles estão realmente preocupados com a situação’’. O prefeito também quer autorização para utilizar R$ 2 milhões inicialmente destinados à construção de um novo hospital.
O secretário de obras de Ouro Preto, Carlos Henrique Brandão Azevedo, explicou que as inundações provocadas pelas chuvas ocorreram porque um aterro, no final da Rua Padre Rolim cedeu e a canalização arrebentou. No aterro, moradores da periferia costumavam jogar lixo. ‘‘Se não fosse a caixa dágua mais à frente, a enxurrada derrubaria muitas casas’’, disse o prefeito. A prefeitura pôs à disposição dos moradores do centro histórico dois carros pipas para fornecimento gratuito de água.
Na cidade, que ontem amanheceu ensolarada, 68 famílias estão desabrigadas e 300 tiveram que se deslocar para outras casas. Além da Prefeitura, empresas privadas de mineração também cederam carros pipas para abastecer desabrigados. Um mutirão já recolheu 8 toneladas de alimentos e donativos suficientes para 500 famílias.

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