São Paulo, 16 (AE) - O ex-governador de São Paulo e deputado federal André Franco Montoro (PSDB) morreu hoje, à 1h30
aos 83 anos, de parada cardíaca, no Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas (HC), na capital do Estado.
Montoro estava internado no hospital desde quarta-feira (14), dia do aniversário dele, quando sofreu enfarte do miocárdio. O enterro será amanhã (17), às 10 horas, no Cemitério Gethsêmani, no Morumbi, zona sul. O governo estadual decretou luto oficial de sete dias.
O velório teve início na manhã de hoje, no hall nobre do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual, e colegas da vida pública, integrantes da oposição e personalidades da cidade destacaram, emocionados, as qualidades de Montoro, lembraram a liderança dele no movimento das Diretas-Já, a trajetória política de 50 anos e a defesa do diálogo como método de governo.
"Era o homem do diálogo", destacou o líder do PT na Câmara, José Genoíno (SP). "Formou uma geração de homens públicos", acrescenta o ministro da Educação, Paulo Renato de Souza. "Além de grande professor de ética e direito, foi um dos políticos mais destacados do País", elogia o cardeal-arcebispo emérito de São Paulo, d. Paulo Evaristo Arns.
A mulher do ex-governador de São Paulo, Lucy Montoro, e seis dos sete filhos deles (André Franco Montoro Filho chegaria de Nova York à noite) receberam as homenagens de políticos, acadêmicos, sindicalistas,religiosos e populares. Os filhos Eugênio Augusto, José Ricardo, Malu, Paulo Guilherme, Mônica e Fernando foram também confortados por populares. Alguns dos 14 netos, estiveram no hall nobre.
A missa de corpo presente foi celebrada às 16 horas pelo arcebispo metropoliano de São Paulo, d. Cláudio Hummes, e pelo abade Oliveiro, do Mosteiro de São Bento. Sobre o caixão, foi colocada a bandeira do Estado de São Paulo. A missa foi acompanhada pelo governador Mário Covas (PSDB), o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e o presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho.
Estiveram também no velório o ex-governador do Ceará e ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) e ex-deputada Marta Suplicy (PT-SP). Do PSDB, além de Paulo Renato compareceram e o ministro da Ciência e Tecnologia, Luiz Carlos Bresser Pereira, secretários do governo Covas e o vice-governador Geraldo Alckmin Filho (PSDB).
Repercussões Paulo Renato de Souza: "Franco Montoro ocupou todos os cargos da vida pública, salvo a presidência. A atual legislação trabalhista foi muito influenciada por ele. Eleito governador, Montoro revelou toda uma geração de pessoas públicas, entre as quais me incluo. Eu tinha 38 anos, era desconhecido quando fui chamado para ser seu Secretário de Educação. Foi marcante sua liderança na campanha pelas eleições diretas. Não há pessoa que, individualmente, tenha contribuído mais para o País. Agora, embora afastado das questões imediatas do governo, estava muito envolvido na discussão da questão do voto distrital e do parlamentarismo." José Genoíno: "Montoro foi uma personalidade de muita representatividade por sua trajetória democrática, pela seriedade com que sempre tratou a coisa pública, por sua abertura ao diálogo com posições adversárias e pela tolerância. No seu governo, nunca houve denúncia de corrupão e trabalhava-se com seriedade. O dia em que participei do movimento que terminou com a derrubada das grades do Palácio dos Bandeirantes é um exemplo. Cobravam dele posição mais enérgica, mas ele se negou a usar a força, usou a autoridade da tolerância democrática e compreendeu o nosso gesto como tentativa de diálogo. Não foi compreendido pela sociedade e seus adversários queriam que fosse mais duro." Michel Temer - "Aos 83 anos, Franco Montoro era um dos parlamentares mais ativos da Câmara. Tive a honra de começar minha vida pública pelas suas mãos e saúdo o Estado pelo governo Montoro e me entristeço pela perda." d. Paulo Evaristo Arns: "Além de honesto, Montoro preocupava-se com as escolas onde não havia escolas e com estradas onde não havia caminhos. No governo, pagou todas as dívidas do antecessor e deixou dinheiro em caixa para o sucessor. Espero que fique sempre na memória de todos. Foi um grande homem." Geraldo Alckmin Filho: "Montoro foi o governador que deu uma nova cultura à política paulista, pela descentralização, participação, foi exemplo de seriedade, e de espírito público. Para nós, tucanos, foi um professor, referencial para a social democracia e uma pessoa amiga. Falava da integração latino-americana há 40 anos, com visão de futuro, otimista." Marta Suplicy: "Considero Franco Montoro como um grande democrata, com quem tinha uma interlocução muito boa e com quem apreendi muito na vida. Nossas famílias eram muito amigas. Ele é um exemplo de vida. Se o FHC tivesse escutado mais o Montoro, teria poupado muito aborrecimento. As peças chaves do governo FH foram geradas no secretariado de Montoro, no governo de São Paulo."

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