Montes Claros – Secas no Nordeste, enchentes no Sul e no Norte. Brasileiros de várias cidades precisam adaptar a rotina a fenômenos climáticos. Mas Montes Claros, em Minas, tem um desafio diferente: seus habitantes têm de aprender a conviver com terremotos. Enquanto isso, chegam a morar no quintal - e mesmo no carro.
  É pelo menos um abalo por ano - são 23 desde 1995, segundo o Observatório Sismológico (Obsis) da Universidade de Brasília (UnB). O mais forte, porém, ocorreu há oito dias, atingiu magnitude 4.5 na escala Richter e foi sentido em toda a cidade. Nos dias seguintes, houve mais três tremores menores - resultando em ‘‘pavor total’’ da população.
  ‘‘Foi horrível. Vi a parede envergando e tudo tremendo. Saí correndo de casa e, quando cheguei na rua, vi que todos os vizinhos tinham saído assustados’’, disse a dona de casa Regina Pereira de Souza. Com medo de novos tremores, Regina o marido Wedson Gomes de Aguiar e a filha se mudaram para a casa de parentes e optou por passar a noite seguinte no carro da família, um Gol.
  A ‘‘casa’’ deles, porém, logo será a da avó, pois a residência do casal foi condenada pela Coordenadoria Municipal de Defesa Civil (Comdec) e terá de ser demolida. A residência fica na Vila Atlântica, na região de Grande Santos Reis, onde, segundo a prefeitura, vivem cerca de 30 mil pessoas espalhadas em várias vilas e favelas. Foi a área mais afetada pelos tremores, segundo Madson Malveira, chefe da Comdec de Montes Claros. Uma semana após os abalos, técnicos haviam interditado 12 imóveis.

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