Belgrado, 05 (AE-ANSA) - O governo de Montenegro aprovou nesta quinta-feira (05) um programa de severas reformas institucionais e políticas para a Federação Iugoslava, o que seguramente porá Slobodan Milosevic em dificuldades.
Em Belgrado, o opositor Vuk Draskovic pediu a renúncia do primeiro-ministro Momir Bulatovic. O pedido da renúncia de Bulatovic foi consequência do resultado negativo das consultas mantidas pelo premier federal com os partidos representados no Parlamento, entre eles o de Draskovic, para formar um novo gabinete.
No entanto, as autoridades reformistas e pró-Ocidente de Montenegro aprovaram um documento prevendo a mudança do nome da Iugoslávia e a instituição de defesa, diplomacia e moeda autônomas para Montenegro.
A Federação Iugoslava, segundo a proposta, passaria a chamar-se "Comunidade dos Estados federados de Montenegro e Sérvia", informou o premier montenegrino, Filip Vujanovic.
Em Belgrado, o líder ultranacionalista sérvio Vojislav Seselj deixou em alerta a pequena república vizinha em relação a qualquer ambição independentista. "Se alguém se separar pela força, sabemos bem quais serão as consequências."
A aprovação do projeto montenegrino coincidiu com o pedido feito por Vuk Draskovic para a renúncia de Bulatovic. Enquanto isso, Zoran Djindjic, chefe do opositor Partido Democrático profetizava que "Milosevic cairá em novembro". Poucas horas depois, era invalidada a acusação de deserção do serviço militar contra Djindjic, o que alguns observadores interpretaram como um pequeno sinal de pacificação.
Neste contexto, a oposição dissimulava suas discrepâncias internas e se organizava para o desafio do próximo dia 19, quando pela primeira vez todos os movimentos e partidos enfrentados pelo governo iugoslavo realizarão em Belgrado aquela que promete ser uma gigantesca manifestação contra Milosevic.
O governante Partido Socialista Sérvio (SPS), de Milosevic, não demonstra inquietação. Seu porta-voz, Ivica Dacic, comentou que "a oposição sérvia não tem condições de ganhar as eleições e chegar ao poder". Os partidos opositores "são movimentos de apoio à OTAN, e os iugoslavos sabem bem quem os bombardeou", acusou Dacic.
Mas é indubitável que a "revanche" opositora está em marcha e, enquanto Draskovic e Djindjic se reuniam em Montenegro com o enviado norte-americano para os Bálcãs, Robert Gelbard, o patriarca ortodoxo Pavle informava sua intenção de convocar uma conferência para discutir o futuro do país. Desta conferência deveriam participar, junto aos partidos no poder, todos os movimentos e formações opositoras.
Os observadores acreditam que a real coesão dos partidos de oposição será posta à prova nos próximos dias. "Nas próximas duas semanas, em vista da manifestação do dia 19 em Belgrado, os partidos de oposição não serão suficientes para criar um movimento capaz de colocar-se como alternativa ao regime de Belgrado", sentenciou um jornalista sérvio. "A oposição está muito longe de chegar a um verdadeiro acordo que garanta sua unidade", acrescentou.
A plataforma aprovada em Montenegro será enviada nos próximos dias ao Parlamento dessa república e também ao governo sérvio de Belgrado, disseram fontes governamentais em Podgorica.

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