Brasília, 28 (AE) - Os empreiteiros Fábio Monteiro de Barros Filho e José Eduardo Ferraz, donos da Incal e Ikal, acusados de desviar R$ 162,28 milhões dos R$ 222,62 milhões repassados às obras do Fórum trabalhista de São Paulo, vão depor amanhã (29) à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário no Senado.
Além de ter supostamente participado do superfaturamento da obra, que permanece inacabada, eles teriam feito a "lavagem" de parte do dinheiro desviado, antes de o depositar na conta de inúmeras empresas. Um grupo de quatro empresas do senador Luiz Estevão (PMDB-DF) recebeu 19 cheques no valor de R$ 5,11 milhões da Incal. Estevão disse que fez "negócios normais" com essa emrpesa, mas não explicou do que se trata. O requerimento convocando-o para depor deve ser votado amanhã pela comissão. O senador José Eduardo Dutra (PT-SE) vai questionar os empreiteiros sobre a ligação que mantém com Estevão. A previsão de membros da comissão é que os empreiteiros vão imitar o ex-presidente do TRT de São Paulo Nicolau dos Santos Neto, que, no depoimento, se calou para não se incriminar ainda mais com as respostas.
Nos depoimentos de hoje à noite, a CPI do Judiciário não conseguiu avançar nas investigações sobre irregularidades praticadas pelo ex-presidente do TRT do Rio, juiz Mello Porto. A advogada Laila Kezen Machado Fonseca, a juíza classista Nair Aparecida Guimarães e a ex-classista Ana Telma Wainstock defenderam Porto. Nair chocou os senadores pelo despreparo.
Indicada para o cargo primeiramente pelo Sindicato dos Práticos de Farmácia, ela disse que esqueceu o nome das farmácias onde teria trabalhado antes de atuar como classista. Hoje representante da Federação dos Empregados no Comércio do Rio, ela respondeu aos senadores que tem como formação profissinal "um monte de cursos, o segundo grau e cursos de inglês".
"Se eu soubesse que teria tantos urubús atrás de mim, eu não teria vindo", afirmou, depois de depor, ao tentar se livrar dos repórteres e fotógrafos.
O pai dela, Lauriano Furtado, presidenteda Federação dos Empregados do Comércio do Rio, foi pedir satisfação ao senador Carlos Wilson (PSDB-PE) sobre as afirmações negativas que ele fez sobre os classistas. Wilson respondeu que a filha dele era um exemplo do que não se deve esperar numa juíza. Nair confessou aos senadores que faz uso de remédios controlados. As três foram chamadas pela CPI para explicar as afirmações que fazem na conversa grampeada pelo jornalista Eduardo Homem de Carvalho.
Laila fala de como conseguir ganhar as falsas licitações para operar os restaurantes do TRT do Rio. Ela afirma, na fita, que conseguiu comprar um apartamento de 260 metros quadrados. Nair afirma na fita que não vai ficar pobre e que "rola muita grana" no tribunal. As duas negaram ser as interlocutoras da conversa grampeada. Já Ana Telma reconheceu que a fala era sua. Na fita, ele fala em fazer "cheque aqui, cheque acolá" como se estivesse se referindo ao papel de classistas. Chorando, a ex-juíza disse aos senadores que se referia ao verbo "checar" e não em dinheiro.

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