Monte Pascoal pode ser patrimônio da humanidade
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terça-feira, 13 de julho de 1999
Por Biaggio Talento 
Salvador, 14 (AE)- Marco do Descobrimento, Monte Pascoal
situado no extremo-sul da Bahia pode ser declarado "Patrimônio Natural da Humanidade" pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Monte Pascoal é um dos sítios históricos que estão sendo avaliados esta semana em Paris
onde funciona a sede da Unesco, pelos técnicos da instituição que estudam as propostas de tombamento.
A informação foi dada hoje, pelo secretário de Cultura e Turismo da Bahia, Paulo Gaudenzi, depois de conversar sobre o assunto com o representante da Unesco no Brasil, Jorge Werthein que esteve em Salvador para visitar a futura sede da entidade no Pelourinho. Monte Pascoal é considerado de valor inestimável para a história nacional, pois teria sido o primeiro ponto avistado pela esquadra de Pedro Alvares Cabral. Ele deve ser tombado em dezembro, até como uma homenagem da Unesco pelos 500 anos do Brasil, que serão comemorados no próximo ano.
A área do monte, onde existem remanescentes da Mata Atlântica, pertence a um parque nacional de 14 mil hectares, sob responsabilidade do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama). Frequentemente, o local é atingido por incêndios que estão destruindo aos poucos a reserva. Com reconhecimento mundial da Unesco, o Monte Pascoal ganharia uma maior proteção das autoridades.
Gaudenzi revelou, ainda, que o governo baiano está realizando um levantamento histórico para reivindicar à Unesco, até o final do ano, o reconhecimento da cidade de Cachoeira, já considerada patrimônio nacional, como patrimônio histórico mundial. Situada no Recôncavo Baiano, Cachoeira formou com Santo Amaro e outras localidades da região, um grande centro açucareiro no século 17 e ainda hoje exibe a fartura daquele período, com belas igrejas e casarões coloniais. Se a Unesco aprovar a proposta, a Bahia passará a ter dois sítios históricos tombados pela entidade, o já existente é o Pelourinho, reconhecido em 84.
Werthein explicou que, dos 570 sítios históricos considerados pela Unesco patrimônio da humanidade, o Pelourinho é o único "vivo", pelas características do projeto de restauração iniciado há oito anos na área. É que depois de restaurar os sobrados, o governo os alugou para a iniciativa privada que instalou bares, restaurantes, galerias. "O Pelourinho tem um comércio ativo, lazer e diversão, contando com a participação ativa da comunidade o que o torna diferente dos outros sítios", disse.


