São Paulo, 14 (AE) - As montadoras têm pronto, e mantido em sigilo, um cronograma de visitas a diversos governadores para tentar ganhar adeptos à manutenção de alíquotas de ICMS mais baixas para carros. As visitas vão ocorrer nos próximos dias, paralelamente às discussões com o governo federal para incentivos de IPI e consequente renovação do acordo automotivo. É possível que os fabricantes de veículos concedam bônus para compor o acordo num novo formato.
Na segunda-feira passada a direção da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea) esteve com o governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PDT). O encontro foi privado, fora da agenda oficial. Esta espécie de "frente" que a indústria automobilística criou para ganhar o apoio dos governadores busca enfrentar a resistência do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), que pretende fazer o ICMS voltar a níveis anteriores aos da última fase de incentivos.
Há um ano, o ICMS dos carros baixou de 17% para 12%. Com o acordo automotivo, alguns Estados seguiram a decisão do governador de São Paulo, Mário Covas, de baixar a alíquota ainda mais, via decreto aprovado pela Assembléia Legislativa. Neste caso a alíquota foi para 9%.
Auditoria - As montadoras têm prazo até segunda-feira para comprovar a necessidade dos aumentos de preços, de até 9 98%, em vigor há quase duas semanas. No mesmo dia, a direção da Anfavea vai se reunir com os dirigentes sindicais para discutir a melhor forma de garantir emprego durante a vigência de uma eventual nova fase de acordo emergencial. Pelo acordo em vigor, a indústria não pode demitir antes do dia 4 de junho.
Alguns dirigentes de montadoras estão apostando que as negociações com o governo vão terminar em alguma fórmula nova, diferente do acordo emergencial, que reduzia o IPI em troca de preços congelados. O presidente da Volkswagen, Herbert Demel, e o da Chrysler, Dennis Kelly, citaram a possibilidade de uma saída intermediária nessa nova fase de negociações.
Durante as primeiras rodadas de encontro, discutiu-se a possibilidade de as montadoras concederem um bônus - medida já aplicada outras vezes - para amenizar nova sobrecarga de aumentos que deverá ser repassada para o consumidor se IPI e ICMS forem elevados. Mas ainda não há consenso sobre isso.
A segunda fase da auditoria, que termina dia 26, vai verificar a lucratividade das montadoras a partir de 1998. Se a lucratividade for incompatível com a rentabilidade industrial internacional - de 12% a 14% do patrimônio líquido - o acordo não será renovado.
Antes de retomar negociações com as montadoras, esta semana, o governo havia decidido não renovar o acordo, como forma de punir o setor pelos aumentos de preços. Assim, a partir da próxima segunda-feira o IPI dos carros populares subiria de 5% para 10% e dos carros médios de 17% para 25% e 30%, dependendo do modelo.
Mas é quase certo que o acordo emergencial será prorrogado até o dia 26 para garantir tempo para a negociação e análise dos balanços das montadoras pela Trevisan, a auditoria encarregada pelo governo de checar as contas da indústria.
Mercado - O mercado de veículos parou desde que o governo retomou as negociações do acordo. O consumidor se retraiu na expectativa de que o governo federal conseguisse fazer as montadoras voltarem atrás na decisão de aumentar os preços.
Em praticamente todas as concessionárias autorizadas os preços em vigor estão muito próximos do que eram antes dos reajustes. Em carros mais procurados, os revendedores repassaram uma parte do aumento. Mas a maior parte trabalha com a tabela anterior.

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