Montadoras vão reajustar ainda mais preços de veículos
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quinta-feira, 04 de fevereiro de 1999
Por Marli Olmos 
São Paulo, 04 (AE) - As montadoras vão reajustar ainda mais os preços dos veículos nos próximos dias. A informação é do próprio presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto. Segundo ele, a indústria repassou somente uma parte do aumento de custos com a desvalorização cambial. Mas ele não adiantou qual serão os índices de aumento, justificando: "Desgraça alheia não se antecipa".
Com este próximo reajuste, os automóveis somarão quatro aumentos este ano. O primeiro, entre 1,5 e 4%, foi o repasse da elevação do IPI. Em seguida, as montadoras reajustaram os preços entre 2% e 11% por conta da desvalorização cambial. Na semana passada foi a vez do repasse do aumento da Cofins, que somou entre 2,6% e mais de 4%.
A indústria não parece disposta a frear a onda de reajuste, mesmo que isso ponha a perder o programa emergencial, que será levado ao governo, propondo a redução de impostos em troca da estabilidade no emprego. "Quem aumentou o preço foi o governo", atacou Pinheiro Neto, durante a divulgação do desempenho da indústria em janeiro.
Ele disse que o setor está tendo de lidar com uma série de componentes ao mesmo tempo. A questão do câmbio, segundo ele, pegou a todos desprevenidos, já que a maior parte das linhas voltaram a funcionar no dia 11 de janeiro. "No dia 13 já estavam fechando compras de peças importadas com o novo câmbio"
destacou.
Segundo o presidente da Anfavea, a quantidade de peças importadas nos carros varia entre 5% e 35%. Nos modelos que possuem conteúdo estrangeiro de 35% não há como nacionalizar os componentes porque a produção é baixa. Já nos carros mais simples, a tendência é de o índice de nacionalização crescer entre 5% e 8%, conforme previsão do presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes Automotivos (Sindipeças), Paulo Butori, confirmada por Pinheiro Neto.
Além do câmbio houve aumento de impostos, lembrou Pinheiro Neto. "Isso tudo veio na contramão das nossas necessidades e eu garanto que não estamos à vontade; estamos sendo constrangidos a transferir os aumentos", disse. Pinheiro Neto revelou ainda que o setor está negociando com fornecedores para evitar novos repasses e garantiu que as margens são estreitas. "Queria ter 10% dos poderes divinos que estão nos dando", disse, referindo-se às críticas contra os reajustes.
Apesar das lamentações, a indústria se prepara para ganhar mais com as exportações. Segundo a Anfavea, a desvalorização no câmbio poderá fazer com que as vendas ao Exterior resultem num aumento de 10% no total faturado com exportações. No ano passado, as vendas externas renderam US$ 4 95 bilhões. A expectativa para este ano é de um crescimento para US$ 5,5 bilhões.
A indústria automobilística aguarda ainda um contato do governo para tratar do acordo emergencial. Pela proposta dos sindicatos de trabalhadores, os preços seriam reduzidos na média de 11,8% sobre as tabelas vigentes antes dos últimos reajustes. Em troca, governo federal e estadual baixariam IPI e ICMS. As montadoras também garantiriam estabilidade no emprego. O acordo teria vigência de três a seis meses, dando tempo para que uma proposta permanente de renovação da frota fosse elaborada. O impasse surgiu porque as montadoras não querem abrir mão dos reajustes de preços.
Desempenho - Os concessionários de veículos venderam em janeiro 28,7% menos do que em dezembro, num total de 89.166 unidades. Na comparação com janeiro do ano passado houve uma queda de 20,54%. Apesar disso, o nível de estoques começou a baixar, por conta da paralisação de algumas linhas, incluindo a Ford, que não produziu no mês passado. O setor tem hoje nos pátios 119.030 veículos, dos quais 82.857 estão na rede de concessionárias.
No dia 31 de dezembro, o setor tinha estoque de 121.301 veículos. Nas vendas a varejo de automóveis de passeio, a Volkswagen manteve a liderança com 30,29%, seguida pela Fiat, com 25,07%. A General Motors obteve 21,75% e a Ford conseguiu 10 18%. As novas montadoras já começam a conquistar fatia que supera 1%. A Chrysler, por exemplo, conseguiu 1,53% e a Toyota 1 24%. Mas a liderança das novas ficou para a Renault, com 2,32%.
A queda nas vendas do varejo superou a retração no atacado - da fábrica para o concessionário. A venda no atacado registrou queda de 11,07%, num total de 93.529 unidades, incluindo os importados. O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto, previu que a desvalorização no câmbio fará as vendas de carros nacionais aumentarem. No ano passado, dos 1,534 milhão de unidades vendidas, 345 mil foram importados, numa participação de 19%. Deste índice, 12% vieram da Argentina.
Este ano a Anfavea prevê uma produção de 1,4 milhão de unidades e um mercado de 1,150 milhão de veículos. Segundo Pinheiro Neto, todas as montadoras estão reavaliando os programas de importação. A tendência é reduzir sensivelmente a quantidade de veículos estrangeiros no País. Ele não confirmou, no entanto, a possibilidade de alguns modelos até deixarem de ser vendidos no Brasil.


