São Paulo, 17 (AE) - Nenhuma das quatro maiores montadoras vai repassar o aumento da Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira (CPMF) aos preços dos carros. A decisão foi tomada por Volkswagen, Ford, Fiat e General Motors, em conjunto, depois que o secretário de política econômica do Ministério do Desenvolvimento, Hélio Mattar, telefonou hoje ao presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto, ameaçando romper o acordo automotivo emergencial.
"Decidimos absorver mais este custo", disse Pinheiro Neto, depois de consultar as direções de cada empresa. Ele havia dito, no dia anterior, em Brasília, que o repasse da elevação da contribuição, resultaria na necessidade de reajustar os preços em 1% em média.
Pinheiro Neto explicou hoje que a declaração de ontem (16) não significava que haveria aumento. Ele disse que, a princípio, a Anfavea entendia que a decisão cabia a cada montadora, com base no mercado e posicionamento de seus produtos.
Mas as declarações do presidente da Anfavea irritaram o governo. O ministro do Desenvolvimento, Celso Lafer, foi o primeiro a dizer que a redução do IPI dos carros - acertada no acordo emergencial - seria cancelada se houvesse aumento de preços porque o entendimento prevê congelamento de preços e estabilidade no emprego em troca de incentivos fiscais. O ministério divulgou uma nota oficial e, em seguida, Mattar telefonou para o presidente da Anfavea.
Pinheiro Neto disse que o setor resolveu atender o apelo do governo. E lembrou que a indústria já vem segurando o impacto da desvalorização cambial. O dirigente disse ainda que os fabricantes de veículos deverão agora negociar com os fornecedores para evitar o repasse.
Independentemente da necessidade ou não de repassar a elevação do tributo, dificilmente as montadoras conseguiriam reajustar ainda mais os preços. O mercado de carros zero-quilômetro está praticamente parado. Os modelos novos estão sendo vendidos com descontos de 8% em média.
O acordo automotivo emergencial prevê preços congelados até setembro e estabilidade no emprego até outubro para 540 mil empregados de toda a cadeia automotiva. Em troca o governo manterá o IPI dos carros populares reduzido de 10% para 7% e dos médios de 25% a 35% para 20%. O ICMS de São Paulo também foi reduzido de 12% para 9,5%.

mockup