São Paulo, 6 (AE) - As montadoras vão aumentar a produção de 117 mil para 130 mil unidades nos próximos três meses. Segundo o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes dos Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto, o setor quer garantir estoque para agosto, quando
prevê, deverá haver aumento de demanda por ser o último mês de vigência do acordo emergencial, que congelou os preços. Mas, como o setor já tem estoque elevado, é provável que a indústria esteja querendo estocar ainda mais carros, recolhendo IPI mais baixo para se abastecer no período pós-acordo.
O estoque de veículos no País, subiu de 127.224 para 138.387. Esse volume é suficiente para 41 dias de venda. Somente nos concessionários, o total subiu de 89.846 para 93.761. As montadoras têm ainda nas fábricas 44.926 unidades.
Exportações - A indústria automobilística desistiu de tentar alcançar a meta de exportações de US$ 5,5 bilhões, este ano. A Anfavea assumiu hoje que reviu a programação para US$ 4,5 bilhões. Mesmo assim, a nova meta será difícil de ser alcançada, já que até agora foi exportado o equivalente a US$ 1,58 bilhão. Segundo o presidente da Anfavea, mais US$ 2,5 bilhões poderão ser faturados com as vendas externas, no segundo semestre.
Acordos - Brasil e México poderão fechar um acordo bilateral de comércio, trocando veículos feitos no Brasil por outros produtos mexicanos. Segundo Pinheiro Neto, representantes da indústria automobilística já conversaram com o ministro do Desenvolvimento, Celso Lafer, para tentar alinhavar o acordo com o governo brasileiro.
No dia 26, vão começar as negociações com a indústria e o governo mexicano. O setor já havia tentado acordo com o Chile e a Venezuela. O mercado chileno receberia automóveis feitos no Brasil, sem imposto, e venderia para o mercado brasileiro vinhos e pêssegos, nas mesmas condições. Na Venezuela, a troca seria feita por petróleo.
álcool - A indústria automobilística informou ao governo
ontem, posição favorável ao aumento da mistura de álcool na gasolina de 24% para 26%. Segundo Pinheiro Neto, as montadoras se responsabilizarão por qualquer necessidade de ajuste nos motores dos carros, em produção ou na garantia. Para os demais, se houver qualquer falha mecânica, a responsabilidade será do proprietário.
Produção no semestre - A produção de veículos do primeiro semestre ficou 28,26% abaixo do mesmo período do ano passado, num total de 637.444 unidades. Em junho, no entanto, a fabricação de 117.724 veículos representou um crescimento de 2 51% na comparação com o mês anterior. Estes dados foram divulgados hoje pela Anfavea.
No mês passado, foram vendidos 106.912 veículos nacionais e importados, pela indústria, incluindo ônibus e caminhões. Na comparação com maio houve queda de 6,75%, o que indica que os estoques aumentaram, já que a produção cresceu. O que se vendeu em junho deste ano ficou 25,55% abaixo de há um ano. As vendas acumuladas no semestre - 624.922 unidades - ficaram 23,77% abaixo do primeiro semestre de 1998.
A indústria automobilística não deverá cumprir as metas de crescimento nas exportações. O faturamento de US$ 1,357 bilhão nas vendas externas até junho representa uma queda de 41 99% em relação ao primeiro semestre do ano passado.
O carro a álcool ainda não tem participação ativa nas vendas e registrou no mês passado fatia de apenas 0,4% do total de veículos vendidos no País. Já os modelos populares absorveram um maior número de vendas, com 65,06% do total.
Máquinas agrícolas - A indústria de máquinas agrícolas produziu no mês passado 3.185 unidades, uma queda de 0,31% em relação a maio e de 3,43% na comparação com junho do ano passado. No acumulado do ano, a produção de 15.301 máquinas significa uma queda de 14,19%. O mercado interno absorveu no mês passado 2.475 unidades, o que representou um aumento de 7,52% na comparação com maio, mas uma queda de 5,68% na comparação com junho do ano passado. As vendas acumuladas de janeiro à junho somaram 13.073 unidades, um crescimento de 7,53%.

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