São Paulo, 13(AE) - A indústria automobilística vai se propor a arcar com a redução de impostos dos carros vendidos no programa de renovação da frota toda vez que isso puder resultar em perda para os cofres da União. Ou seja, as montadoras vão adiar o desconto dos bônus junto ao governo toda vez que a arrecadação atingir limite mínimo. Esta é a proposta que o setor está preparando para convencer a equipe econômica a aprovar o programa de renovação da frota, que prevê estímulos fiscais.
O trabalho que a indústria prepara ainda é mantido em sigilo e deverá ser divulgado ao governo no início de janeiro. A idéia visa tranquilizar a equipe econômica, que tem demonstrado preocupação com a possibilidade de a redução de impostos para os carros vendidos por meio do programa da frota resultar em perda na arrecadação.
O sistema funcionaria com a fixação de um limite mínimo de valor de arrecadação federal nos veículos. Ao se desfazer do carro com mais de 15 anos de uso, o proprietário vai receber um bônus para obter desconto para compra de outro menos velho ou um zero-quilômetro. O veículo velho é enviado pela concessionária para um centro de sucateamento.
Ele poderá usar o bônus para adquirir um veículo usado. Neste caso, o bônus segue adiante até chegar ao carro novo. Ao vender um automóvel zero-quilômetro, por meio deste sistema, o concessionário encaminha o bônus para a montadora que o repassa ao governo, que entra com a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados. A proposta dos fabricantes de veículos é fixar, junto com o governo, uma arrecadação mínima. Se num mês o nível estiver mais baixo, eles não vão apresentar os bônus. Vão segurar estes papéis para descontá-los posteriormente, arcando temporariamente
assim, com o o incentivo fiscal.
Os representantes da indústria estiveram na semana passada com o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho para pedir apoio ao programa de renovação da frota. Estudos mostram que 48% da frota brasileira tem mais de 10 anos. Estes veículos são responsáveis por 77% das emissões veiculares e por 60% dos acidentes com vítimas. Nesta semana, os dirigentes das montadoras vão discutir o assunto com o Ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, e o da Justiça, José Carlos Dias, como quem pretendem encontrar uma forma de cobrar as multas dos veículos sucateados. A última fase das negociações com o governo - e a mais difícil - deve ocorrer no início de janeiro, com os ministérios do Desenvolvimento e Fazenda.
O setor automotivo está contando com o programa de renovação da frota no cálculo que prevê para o próximo ano mercado maior do que neste. Eles esperam vender pelo menos 140 mil veículos mais em 2000 por conta do programa. A idéia é, posteriormente, atingir mercado adicional de 400 mil unidades. Mas este número só poderá ser atingido quando o governo regulamentar a lei de inspeção veicular.

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