Montadoras projetam produção de 100 mil carros este mês
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terça-feira, 09 de março de 1999
Por Cleide Silva 
São Paulo, 10 (AE) - As montadoras pretendem produzir 100 mil veículos este mês, 20% a mais do que em fevereiro. O volume, já acertado com os fornecedores de autopeças para a entrega de componentes, tem como objetivo atender ao provável aumento de vendas em decorrência da queda de impostos e, consequentemente, dos preços dos carros. Hoje à noite, a Assembléia Legislativa de São Paulo votaria a redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
A aprovação do projeto, dada como certa pelo setor automobilístico, resultará em uma nova queda de preços, que pode passar de 4% em alguns modelos. A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), em vigor desde a semana passada
possibilitou uma queda de 6% a 12% nos preços ao consumidor. A previsão dos assessores do governador Mário Covas, defensor da redução, é de que a alteração do ICMS - que cairá de 12% para 9% - poderá vigorar já nesta sexta-feira.
Como a redução terá validade somente no Estado de São Paulo, o modelo Palio, da Fiat, vai ficar mais caro do que seus principais concorrentes. Produzido em Betim (MG), a versão mais barata terá seu preço mantido em R$ 11.893 (que já inclui a queda do IPI), enquanto seu principal concorrente, o Gol Special
da Volkswagen, passará a custar perto de R$ 11.650. O Fiesta, da Ford, e o Corsa, da General Motors, terão os preços reduzidos para cerca de R$ 11.600 e R$ 11.400, respectivamente.
Além da produção maior para este mês, montadoras e revendedores também precisam desovar mais de 100 mil carros que estão em seus estoques, muitos deles da linha 98/99, que estão sendo oferecidos com descontos extras. No último fim de semana todas as concessionárias registraram aumento de vendas. A General Motors informou que os negócios na sua rede de revendedores triplicaram.
Autopeças - Para manter a programação de produção deste mês, as montadoras esperam fechar acordo de reajuste de preços com os fornecedores que, por sua vez, estão recebendo reivindicações dos fabricantes de matéria-prima. Alegando aumento de custos por causa da desvalorização cambial (que encareceu as importações), os produtores de suprimentos para o setor de autopeças pedem reajustes que variam de 12% a 90%.
Se os três setores não chegarem a um entendimento, pode ocorrer falta de peças. Na semana passada, a Mercedes-Benz suspendeu a produção por um dia porque não havia recebido dos fornecedores válvulas e cilindros de freios. Segundo a montadora
o abastecimento foi normalizado, mas as negociações sobre preços continuam.
O presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), Paulo Butori
disse que o setor está conseguindo negociar algum repasse com as montadoras. Um dos acertos feitos até agora, por exemplo, estabelece a cotação do dólar a R$ 1,65. A diferença, se necessário, será negociada no futuro.
Caso as empresas cumpram a meta prevista para este mês, será o maior resultado de produção desde setembro, quando deixaram as linhas de montagem 148,6 mil veículos. A partir daquele mês, a produção não conseguiu mais chegar à casa de 100 mil unidades.


