Montadoras prevêem 1,3 milhão de veículos no mercado em 99
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domingo, 14 de março de 1999
Por Marli Olmos 
São Paulo, 15 (AE) - O mercado de veículos no Brasil vai ficar este ano entre 1,1 milhão e 1,3 milhão de unidades. No ano passado foram 1,53 milhão de veículos vendidos. A previsão, que seria mais pessimista não fosse o acordo emergencial que reduziu impostos, foi feita hoje pelos principais executivos do setor que participaram do seminário "Perspectivas 99: os novos cenários", em São Paulo.
Mas, para o presidente da Volkswagen, Herbert Demel, se o acordo emergencial não for renovado em maio, não há como chegar a esses números. "Sem a renovação do acordo, teremos em maio e junho resultados iguais aos de fevereiro", disse Demel.
Em fevereiro foram vendidos 42.600 veículos. Este mês, com IPI mais baixo em todo o País e também ICMS menor em São Paulo, o total de vendas poderá chegar a 110 mil unidades, segundo previsões dos executivos feitas com base no desempenho de vendas do primeiro final de semana com preços entre 8% e 11% mais baixos.
Segundo o diretor comercial da Fiat Automóveis, Lélio Ramos, a empresa vendeu em São Paulo no sábado e domingo 1.000 veículos, o dobro do que nos finais de semana anteriores. O gerente de planejamento, vendas e marketing da Volkswagen, Luiz Muraca, previu uma queda de 20% no mercado total este ano, mas uma retração menor, de 10%, no volume de modelos fabricados no Brasil em razão da desvalorização cambial.
Cenário - As montadoras e fornecedores de autopeças trabalham com previsão de inflação entre 15% e 20% este ano e cotações de câmbio entre R$ 1,70 e R$ 1,80 para o segundo semestre. Todos temem pela volta da indexação.
Segundo o diretor de compras da Mercedes-Benz, Manfred Straub, se isso acontecer de nada vai adiantar o esforço da indústria para aumentar o índice de nacionalização dos carros para escapar das perdas com a desvalorização cambial.
A Mercedes já decidiu aumentar o conteúdo local de 60% para 70% no Classe A, carro que será produzido na fábrica que inaugurará em abril em Minas Gerais. O presidente da Volkswagen, Herbert Demel afirma que não será tão fácil aumentar o nível de nacionalização das peças.
De maneira geral, os responsáveis pelos departamentos de compras das montadoras estimam entre seis meses e dois anos os prazos para nacionalização, dependendo do tipo de componente. O diretor de compras da General Motors, Marcos Munhoz, disse que a montadora importa hoje em média 20% dos componentes dos carros que produz no Brasil. "Dificilmente chegaremos a algo abaixo de 10", destacou.
O setor também está preocupado com o aumento da capacidade. O vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Célio Batalha, diretor da Ford, lembrou em palestra hoje que este ano o Brasil terá 16 montadoras. Isso significa que a divisão do mercado, em partes iguais, resultaria em 100 mil veículos para cada uma, no máximo, o que indica grande perda de economia de escala.
No ano 2000 a indústria automobilística terá capacidade de produzir 3 milhões de veículos. Em 2001 a capacidade será de 3,5 milhões, segundo estudo da consultoria Booz-Alen.


