São Paulo, 23 (AE) - A possibilidade de o acordo automotivo emergencial ser prorrogado, como acenou, no fim da tarde de hoje, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, é, em parte, resultado da pressão que as montadoras fizeram nos últimos dias em Brasília, sob o argumento do desemprego. Executivos do setor fizeram vários contatos com o ministro do Trabalho e Emprego, Francisco Dornelles. O último foi no fim de semana.
Assim que os fabricantes de carros souberam do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Clóvis Carvalho, que não havia por parte do governo nenhuma intenção de renovar o acordo, o setor direcionou o trabalho de convencimento para o Ministério do Trabalho, mais propenso a aceitar argumentos contra demissões.
As montadoras vêm mantendo trabalhadores ociosos para cumprir as regras do acordo, que previu redução de impostos em troca de estabilidade no emprego e preços congelados. A fábrica da Volkswagen no Grande ABC (SP) vem operando em apenas quatro dias da semana. A Ford vem mantendo mais de 2 mil trabalhadores em casa. A indústria de autopeças opera com capacidade ociosa de 30% e ameaça cortar 10 mil empregos, se o acordo não for renovado.
Em meio ao trabalho para convencer o governo a manter o acordo emergencial, as montadoras também incluíram os sindicalistas. Os dirigentes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da Força Sindical foram informados nos últimos dias a respeito das conversas da indústria com Dornelles.
A prorrogação do acordo proposta pelas montadoras prevê uma espécie de ponte até a criação do programa de renovação da frota. As regras válidas hoje seriam estendidas por mais 30 a 45 dias. Com isso, indústria e governo ganhariam tempo para criar o programa da frota, que prevê incentivos fiscais para a substituição dos carros com mais de 15 anos.

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