Montadoras e autopeças do Brasil e Argentina chegam a acordo
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terça-feira, 03 de agosto de 1999
Por Ariel Palacios, especial para a AE (assinatura obrigatória) 
Buenos Aires, 04 (AE) - As principais lideranças das montadoras e empresas de autopeças da Argentina e do Brasil, anunciaram, em Buenos Aires, que chegaram a um acordo para definir o regime automotivo do Mercosul. Os empresários anunciaram as linhas gerais do acordo que será definido em detalhes nos próximos dias. Analistas sustentaram que a apresentação do acordo na véspera da reunião de Montevidéu demonstra que os conflitos podem ser resolvidos pelos setores industriais de melhor forma que os governos, que somente teriam que ratificar os acordos setoriais.
Segundo os empresários, entre os pontos principais, está o estabelecimento do monitoramento do comércio entre os anos 2000 e 2004 (período de transição do regime automotivo), nos quais os governos exercerão controles para que não ocorram desequilíbrios significativos na região "tendo em vista as diferenças macroeconômicas existentes".
Os empresários também concordaram em incluir o "conteúdo local", ponto até agora não havia sido aceito pelos brasileiros
mas pedido pelos argentinos, que implica em uma porcentagem de peças nos veículos puramente de fabricação argentina. Desta forma, os veículos produzidos no Mercosul contarão com uma porcentagem de peças regionais, podendo ser de qualquer dos países-sócios, e no caso argentino, também haverá uma porcentagem exclusivamente local. Isto foi incluído devido às dificuldades das empresas de autopeças argentinas que haviam iniciado um êxodo em massa ao Brasil.
Além disso, ficou estabelecido que terá que ser criado um sistema que implique em uma redução nos custos da peças de países extra-Mercosul no período 2000-2004 de forma escalonada. Também estipulou-se que não poderão ocorrer discriminações dentro dos planos de estímulo às vendas. Neste caso, as montadoras dos dois países requerem que os governos permitam que carros brasileiros possam participar do plano de renovação de frota argentino, e vice-versa.
Do lado brasileiro estiveram José Carlos Pinheiro Neto, presidente da Anfavea e Paulo Roberto Butori, presidente da Sindipeças. Do lado argentino, Horácio Losovitz, presidente da Adefa, associação das montadoras locais, e Horácio Larré Oroño, presidente da AFC, da associação dos fabricantes de autopeças.
Pinheiro Neto afirmou que o governo brasileiro "estimulou a realização do acordo, porque é fundamental a manutenção do Mercosul". Segundo o presidente da Anfavea, "com estas decisões, teremos algo para que os governos tenham uma ferramenta útil para o acordo automotivo definitivo". Segundo Ademar Cantero, diretor da Anfavea, o setor automotivo constitui mais da metade do total do intercâmbio comercial dos dois países
que é de US$ 14 bilhões.


