Tóquio, 02 (AE-DOW JONES) - A incapacidade do Japão de sair da pior crise econômica do pós-guerra e a necessidade de ajustar suas indústrias às novas dimensões ditadas pela globalização estão levando as empresas automobilísticas, fabricantes de máquinas e eletrônicos do país a rever as parcerias firmadas recentemente para dar lugar a um programa de reestruturação mais profundo.
Hoje, mais um grupo, o Hitachi, anunciou o corte de 6,4 mil postos de trabalho, enquanto a Nissan, segunda maior montadora do Japão, admitiu cancelar as joint ventures com a Daimler-Chrysler e com a Ford para a fabricação de caminhões e minivans.
De acordo com a porta-voz da Nissan, Miki Obana, a venda de 37% das ações da empresa à francesa Renault nada tem a ver com a reformulação das parcerias. "Deixando de lado a questão da Renault, estamos reformulando os planos para todos os nossos produtos, até caminhões", afirmou. O foco da companhia, explicou, será o desenvolvimento de produtos em parceria com a Renault e não com outras empresas.
Já a Mitsubishi Motors anunciou que vai trabalhar com a sueca Volvo no desenvolvimento dos novos caminhões modelo Volvo AB. A notícia divulgada ontem na capital japonesa foi interpretada pelo mercado asiático como um indício de que as duas montadoras estariam considerando a possibilidade de uma parceria mais abrangente, possivelmente com a aquisição de um lote de ações da Mitsubishi por parte da Volvo.
No momento, a joint venture entre a quarta maior fabricante de veículos do Japão e a montadora sueca abrange apenas a venda e o marketing de caminhões médios. Mas, para Shinji Kitayama, analista da New Japan Securities Co., "a Mitsubishi está fazendo primeiro uma aliança técnica para, depois, avançar rumo a uma troca de ações".
No segmento de máquinas e produtos eletrônicos, o Grupo Hitachi, último gigante do setor que ainda não havia anunciado cortes de gastos, divulgou hoje planos para enxugar seus quadros. A idéia é reduzir em 10% o total de funcionários até março do ano 2000. O programa anunciado pelo novo presidente do grupo, Etsuhiko Shoyama, porém, não avança muito, já que se limita a incentivar demissões e transferir, para a subsidiária de produtos eletrônicos, pelo menos 4 mil empregados.
Ações - Na Bolsa de Tóquio, o Índice Nikkei encerrou o pregão desta sexta-feira com ligeira queda em relação à véspera, depois que os investidores concluíram que não há razões para otimismo no início deste novo exercício fiscal. Em média, as 225 principais ações que compõem o indicador perderam 37,37 pontos (0,2%) e o Índice Nikkei fechou a 16.290,19 pontos, ante uma alta de 3,1% na véspera.

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