Montadoras devem adiar aumento para negociar acordo, diz Mattar
Por Gecy Belmonte
Brasília, 28 (AE) - O secretário de Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Hélio Mattar, está pedindo às montadoras que adiem o aumento médio de 10% sobre os preços dos veículos,como condição para negociar a renovação do acordo emergencial que reduziu o IPI na venda dos carros, para manter o emprego no setor. Em contrapartida, ele se compromete a pedir à Receita Federal que considere a arrecadação dos impostos, incluindo toda a cadeia produtiva e não só o IPI sobre os veículos, para avaliar o impacto da redução do imposto na arrecadação federal. O secretário esteve reunido hoje com a direção da Anfavea, da Fenabrave, do Sindipeças e representantes da CUT e da Força Sindical,
Segundo dados da Anfavea, se considerada a arrecadação do IPI, Cofins e PIS, em toda a cadeia produtiva, na comparação de março, em relação a dezembro de 98 e janeiro deste ano, houve um aumento de 25 % na arrecadação e não uma queda de 50% como divulgou a Receita Federal. Hélio Mattar espera obter o comp romisso das montadoras de adiar o aumento dos preços dos veículos até sexta-feira. Também até esse prazo, Mattar espera ter uma resposta da Receita Federal para o pedido de extensão do prazo de redução do IPI sobre os veículos, que termina em 4 de maio.
Preços - Mattar disse que não sabe o que vai acontecer se as montadoras insistirem em reajustar os preços. As montadoras, no entanto, alegam que não podem evitar o aumento, porque o reajuste concedido em janeiro não foi suficiente para cobrir os aumentos de custo, causados pela desvalorização cambial. O secretário argumentou, no entanto, tendo como base estudo apresentado pelos próprios fabricantes, que é melhor aumentar as vendas de carros, do que aumentar o preço. De acordo com o estudo, com a renovação do acordo emergencial e reajuste de preços, as vendas anuais das montadoras, neste ano, seriam de 1 milhão, 240 mil veículos, o que significaria uma queda de 2 0% em relação a 1998, quando foram vendidos 1 milhão, 570 mil veículos. Esse mesmo estudo mostra que com que a renovação do acordo e sem o aumento de preços, as vendas seriam de 1 milhão e 400 mil carros. Já sem a renovação do acordo, mas com o aumento dos preços, as vendas cairiam para 960 mil.
O secretário informou que, independentemente da renovação do acordo com as montadoras, o Ministério está tentando obter novas fontes de financiamento para garantir a venda dos veículos. Mattar disse que vai conversar com o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, para ver a possibilidade de que sejam obtidos R$ 600 milhões, por meio do Codefat, o que daria para financiar cerca de 60 mil carros. Pela proposta, esses recursos cobririam 30% do valor de cada veículo e os bancos das montadoras financiariam o restante. A vantagem desse tipo de crédito, explicou Mattar, é que permitirá juros de 16% a 20% ao ano (1,5% ao mês), mais atrativo, portanto, que as linhas de financiamento das montadoras que oferecem juros de 1 6% a 2,3% ao mês.
Ele informou ainda que dentro de duas semanas vai reunir em Brasília representantes de toda cadeia produtiva automobilística, na tentativa de evitar aumentos de preços no setor. Segundo Mattar, está havendo pedido de reajuste em vários pontos da cadeia, "o que o governo considera um absurdo". Ele explicou que pretende sensibilizar os empresários para o impacto que o aumento de preço em uma determinada matéria-prima terá em todo o segmento. Ele citou como exemplo que quando há um aumento de aço, a empresa deixa de avaliar o impacto no mercado e não percebe que o reajuste acaba reduzindo as vendas dos automóveis e prejudicando a todas as empresas. "Queremos passar essa visão coletiva aos empresários".





