Montadoras descartam prorrogar acordo emergencial automotivo
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quinta-feira, 23 de setembro de 1999
Por Marli Olmos 
São Paulo, 24 (AE) - As montadoras não tentaram e nem vão tentar, desta vez, estender o acordo automotivo emergencial, que manterá preços congelados até a próxima quinta-feira. Segundo uma fonte da indústria, os fabricantes de veículos têm agora interesse no aumento de preços em razão da pressão dos custos. O mercado está esperando reajustes em torno de 12% a partir do fim do acordo.
A maior parte dos concessionários tem estoque suficiente para alguns dias. Isto quer dizer que será possível encontrar preços da tabela antiga nos primeiros dias de outubro. A expectativa do acordo fez o mercado se aquecer hoje e os revendedores esperam vender mais no final de semana, o último antes do fim do acordo.
Fabricantes e concessionários estão dividindo o ônus de descontos para promoções para este final de semana. A Fiat baixou o preço do Mille EX de R$ 11.116 para R$ 9.998 e do Palio EX de R$ 13.236 para R$ 11.009. Na Volkswagen, foram criados bônus especiais para Kombi, Saveiro e Polo Classic. Os descontos são divididos entre revendedor e fábrica : R$ 2 mil na Kombi, R$ 5.100 na Saveiro e R$ 1.500 no Polo. Alguns concessionários estão dando brindes, como aparelhos de telefone celular.
Nos últimos meses, a indústria automobilística conseguiu negociar com os fornecedores reajustes de preços no aço, plásticos e tintas. Segundo os fabricantes de autopeças, os fornecedores arcaram com a maior parte dos aumentos.
A terceira fase do acordo emergencial, que durou 30 dias
manteve o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido de 10% para 7% nos carros populares e de 30% a 25% para 20% nos modelos médios. Segundo o secretário de política industrial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Hélio Mattar, o mais importante para o governo é manter a estabilidade no emprego do setor. O acordo prevê fim dos preços e impostos congelados nesta quinta-feira, mas emprego garantido para os 260 mil empregados da cadeia automotiva até 30 de novembro.
Brava - O novo carro da Fiat, o Brava, que será apresentado no mercado brasileiro na próxima semana, poderá ser comprado pela Internet. A montadora criou um site exclusivo (www.fiatbrava.com.br) por meio do qual o cliente vai montar o carro com as especificações e acessórios que desejar. Ao acionar o ícone "Quero comprar" ele estará cadastrado para a compra. Segundo o gerente de publicidade e promoções da Fiat Automóveis, Carlos Murilo Moreno, o cliente será contatado, num prazo de 24 horas, pelo concessionário que escolheu, para efetuar o pagamento e retirar o veículo.
O novo sistema também permite simular planos de financiamento pela Internet. No Brasil, o cliente ainda tem que ir à concessionária para retirar o produto. Mas na Itália, a Fiat já começou a testar um modelo de venda do carro Barchetta pela Internet, que entrega o veículo na casa do cliente.
"A Internet é um caminho sem volta e se hoje estamos começando a nos habituar com a compra de produtos de baixo valor
no futuro a Internet poderá ser um meio de compra de produtos mais caros, como carros e até apartamentos", destaca Moreno. Segundo ele, o site da Fiat recebe 150 mil acessos por mês.
O modelo Brava é um carro que a Fiat decidiu fabricar no Brasil depois da desvalorização do real. Até então, a montadora planejava importar o veículo da Itália. O Brava é um carro chamado de "fast-back", que é, na verdade um veículo de dois volumes e meio - ou seja, intermediário entre sedan e hatchback.
O Brava começará a ser vendido em meados de outubro. A Fiat já está produzindo o automóvel, numa velocidade de 130 unidades por dia, na mesma linha do Marea. O índice de nacionalização do veículo é de 50%. Mas a empresa se prepara para aumentar a compra de componentes feitos no Brasil.
O novo carro da Fiat vem disputar o mercado de médios, do qual a marca participava com o Tipo, que saiu do mercado. O Brava vai concorrer com Golf, Astra, Escort e Mégane. Este segmento vem crescendo no Brasil e a participação no total de carros vendidos aumentou de 13% no ano passado para 20% este ano. A Fiat prevê que a fatia aumente para 22% até dezembro. Os carros populares ainda têm mais de 60% do mercado.


