Montadoras de veículos esperam fechar ano com prejuízo de até R$ 3 bi
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quinta-feira, 14 de outubro de 1999
Por Marli Olmos 
São Paulo, 15 (AE) - As quatro maiores montadoras do País - Volkswagen, Fiat, General Motors e Ford - vão ter este ano prejuízo entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões. Em todo o Mercosul, a soma do prejuízo da cadeia que compõe fornecimento de peças e distribuição dos veículos das quatro marcas será de US$ 2 bilhões ou mais. A crise na Argentina preocupa o setor automotivo. A General Motors anunciou hoje o fechamento da fábrica em Córdoba. No sentido contrário, a Renault vai transferir para a Argentina parte da linha do seu novo carro, o Clio, na tentativa de equilibrar a balança entre os dois países.
Os valores do prejuízo foram anunciados pelo presidente da General Motors do Brasil, Frederick Henderson, durante o seminário "Perspectivas do Setor Automotivo para o Ano 2000", que reuniu cerca de 500 executivos do setor, hoje em São Paulo. No primeiro semestre as quatro maiores montadoras registraram prejuízo de R$ 1,7 bilhão. "Acreditamos que os novos fabricantes também estão sofrendo", disse Henderson durante uma palestra.
De fato, o presidente da Renault na América do Sul, Luc-Alexandre Ménard, disse que a desvalorização cambial fará com que a montadora francesa atrase em um ano a expectativa de começar a lucrar no Brasil. Nénard anunciou hoje a expectativa de vender, no ano 2000, 80 mil veículos, quase o dobro deste ano
o que pode garantir à marca o quinto lugar no ranking brasileiro com pelo menos 5% do mercado.
A idéia de transferir 30% da produção do Clio 2 para a Argentina representa, segundo Mérnard, uma decisão econômica para equilibrar a balança e também para ocupar espaço na fpabrica da marca já existente em Córdoba. Isso vai custar à empresa US$ 22 milhões em investimentos. O Clio 2 será lançado no Brasil em novembro. Ménard também anunciou hoje que a empresa francesa terá um banco próprio no Brasil no próximo ano.
Para Ménard, a diferença cambial entre Brasil e Argentina "não permite o livre mercado no ano 2000". A crise na Argentina é que provocará o fechamento da fábrica da General Motors em Córdoba. Segundo Henderson, a GM pretende concentrar as operações da Argentina em Rosário onde está instalada uma fábrica do Corsa. Os representantes da empresa estão negociando com os sindicatos e trabalhadores para tentar transferir para Rosário os 220 empregados de Córdoba. Ele não quis adiantar se a empresa tem planos de transferir para o Brasil a linha de produção da picape Silverado, que está instalada em Córdoba. A capacidade daquela fábrica é de 25 mil veículos por ano mas o volume médio produzido está hoje em 4.500 unidades.
A crise no Mercosul está levando as montadoras a buscar novos mercados. A General Motors anunciou hoje o fechamento de dois contratos de exportação para o México: seis mil picapes Corsa e duas mil S-10 por ano. Segundo o diretor de exportações da GM, José Carlos Pinheiro Neto, a idéia é apressar com aquele país acordos bilaterais como o que foi feito com a Argentina. Também hoje, durante o seminário realizado pela revista Autodata
o diretor comercial da Fiat, Lélio Salles Ramos, anunciou que a subsidiária brasileira da montadora vai começar a exportar o Palio para a Itália, que já compra do Brasil a perua Palio Wekeend e a picape Strada.
Mercado- A redução no juros não anima as montadoras. Os fabricantes estão mantendo os programas de produção deste mês porque já tinham sido feitos em julho. Mas já preparam a redução no ritmo de produção em novembro e dezembro. Segundo fornecedores, há poucas perspectivas de o setor registrar aquecimento em novembro. "E ninguém sabe o que vai acontecer em janeiro", disse um fabricante de autopeças.
A ameaça de demissões já ronda o setor e muitos fornecedores estão esperando uma sinalização das montadoras para saber se devem ou não demitir a partir de 30 de novembro, quando termina o período de estabilidade garantido no acordo emergencial. A maior parte dos executivos mantém projeção de 1 25 milhão de unidades no mercado brasileiro este ano. O que representará uma queda de 16% na comparação com o ano passado. Para o ano 2000, no entanto, a expectativa é de melhora.
Bahia- Também esteve no seminário de hoje o secretário da Industria e Comércio da Bahia, Benito Gama, que anunciou o início da construção da fábrica da Ford no próximo mês e a inauguração em outubro de 2001. Gama espera conquistar, na próxima semana, a adesão de coreanos e ingleses no regime automotivo especial no Nordeste, cujo o prazo de inscrições termina no próximo dia 30. Segundo ele, o grupo coreano Hyundai já decidiu fazer duas fábricas: uma para os próprios automóveis da marca e outra para produzir a van Besta, da Kia Motors, que pertence ao mesmo grupo.
Para a fabricação da Besta será feito investimento de US$ 136 milhões, segundo o secretário. Os coreanos esperam, porém, obter do governo brasileiro perdão da dívida que chega perto de US$ 100 milhões.
O valor refere-se à multa pela suspensão do projeto de fábrica da Asia Motors, do Grupo Kia, que aderiu ao regime automotivo, aproveitando-se dos incentivos fiscais.
Benito Gama também espera para a próxima semana resposta positiva da TVR, fabricante inglês de carros de luxo, do Grupo McLaren. A TVR desistiu de instalar uma fábrica no Rio Grande do Sul, a exemplo da Ford, e está se interessando pelos incentivos fiscaia da Bahia. Segundo Gama, o projeto prevê a fabricação de um carro que custará mais de US$ 100 mil, destinado principalmente à exportação. Segundo o secretário, os incentivos da Bahia garantem aos ingleses economizar anualmente US$ 14 milhões em impostos. Como o investimento na fábrica deve girar em torno de US$ 30 milhões, o gasto seria recuperado em dois anos.


