Detroit, Michigan, 11 (AE) - A chegada dos japoneses com carros menores e mais baratos e posteriormente dos europeus sacudiu o mercado norte-americano entre final dos anos 70 e início dos 80. Mas não alterou a preferência dos seus consumidores por carrões e picapes grandes. Hoje, na véspera da abertura do 84º Salão do Automóvel de Detroit, as três gigantes - General Motors, Ford e Chrysler - provam que ainda são soberanas em seu próprio País. E mais: marcas européias e asiáticas se rendem e anunciam, nesta feira, a intenção de fabricar modelos feitos para o gosto americano.
Uma das primeiras a apresentar para os americanos um veículo-conceito com características totalmente diferentes dos modelos que vende no resto do mundo foi a Volkswagen. Com participação ainda tímida na América do Norte, a marca alemã está exibindo em Detroit uma imponente picape, que, para os brasileiros, lembraria a Dakota, que a Chrysler fabrica no Paraná.
Ainda não há data para o início da produção deste modelo, que deverá ser equipado com motor de 313 cavalos. Os executivos da Volks passaram o dia de hoje explicando a jornalistas do mundo inteiro que o Advanced Activity Concept - nome do projeto - foi especialmente feito para os Estados Unidos porque "os americanos não gostam de modelos muito europeus".
Este veículo pode ser uma das alternativas da Volkswagen para ingressar no mercado de picapes grandes no Brasil, um segmento que tende a crescer e no qual atuam, ainda sozinhas, Ford e General Motors. No Brasil, as picapes grandes com tração 4 x 2 a diesel acabam de ser beneficiadas pela alteração na grade do IPI.
Desde o dia 1º, a alíquota deste imposto baixou de 25% para 10% para este tipo de veículo. O diretor de assuntos corporativos da Ford Brasil, Célio Batalha, disse que a redução tributária será repassada para o preço final. Por isso, ele prevê, a médio prazo, aumento do interesse do consumidor por picapes 4 x 2 a diesel, agora mais baratas que as 4 x 4. A General Motors passou a incluir a versão 4 x 2 na sua linha, em razão da alteração, segundo o presidente da GM do Brasil, Frederick Henderson.
Na sua apresentação à imprensa, a direção da Toyota nos Estados Unidos disse que este é o "ano das picapes e dos esportivos utilitários". A montadora está presentando em Detroit o modelo Sequoia - nome de uma árvore gigante da Califórnia -, um sport utility para oito passageiros e motor de 4,7 litros.
A Toyota já tem 10% do mercado norte-americano, vindo logo depois das três marcas dos Estados Unidos: General Motors com 30%, Ford com 24% e Chrysler (12%). A grande chamada Avalanch, cercada de um cenário que lembrava a avalanches na neve.
A Ford destacou no seu segundo dia do salão dedicado à imprensa a ampliação da linha de carros elétricos. Com o aumento da oferta destes veículos, a montadora lançou uma nova marca - Think -, dedicada aos modelos elétricos, chamados de veículos limpos. Segundo o chairman da empresa, William Clay Ford Junior, junto com a Internet, os combustíveis alternativos estão no foco da inústria do ano 2000.
A Ford já tem um veículo urbano pequeno na versão elétrica e esta semana está apresentando em Detroit, o Foccus elétrico. Este modelo, um sedan médio, vai ser vendido no Brasil. Ford tem planos de fabricá-lo na Argentina. Mas, segundo o diretor de assuntos corporativos da Ford Brasil, Célio Batalha, a companhia ainda avalia as condições de custos naquele país. A produção no Brasil está descartada em razão da falta de escala.
O North American International Auto Show (NAIAS) 2000 está na sua vigésima edição na condição de feira internacional. Mas esta feira é feita anualmente em Detroit desde 1907, com exceção aos anos de guerra. Mais de 40 fabricantes de veículos gastaram US$ 350 milhões no salão para mostrar cerca de 700 modelos de automóveis e utilitários. A feira será aberta ao público de 15 a 23 de janeiro.