São Paulo, 26 (AE) - O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto, disse que todas as montadoras estão buscando novos mercados, além dos tradicionais clientes da América Latina e Europa. O objetivo é compensar a queda nas vendas internas - que no ano passado foi de 18% -, e não ficar dependente do Mercosul, cujos resultados não têm sido os esperados.
Em 1998, os três parceiros do Brasil no mercado comum (Argentina, Paraguai e Uruguai) importaram US$ 1,96 bilhão em veículos, volume que não passou de US$ 1,5 bilhão no ano passado.
A entidade está discutindo acordos bilaterais com México
Chile, Venezuela e áfrica do Sul, que facilitariam a troca de produtos. A negociação com o México está mais adiantada. Pinheiro Neto acredita que o acordo isentando as transações do imposto de importação será concluído em três meses. A expectativa é que os negócios tripliquem. No ano passado, o Brasil exportou US$ 250 milhões para o México e importou US$ 100 milhões.
Além de veículos prontos ou desmontados (CKD), estão crescendo as exportações de componentes produzidos pelas montadoras, principalmente motores. Serviços também fazem parte das vendas externas.
A General Motors, por exemplo, há dois anos fornece serviços de engenharia e manufatura para fábricas dos Estados Unidos e Alemanha. Em 1998, a empresa recebeu por esses serviços US$ 58 milhões e, no ano passado, US$ 79 milhões. Para 2000, a previsão é crescer ainda mais. "Isso mostra que nossa tecnologia é respeitada lá fora", disse o executivo. As montadoras que se instalaram no País a partir do fim de 1997 foram responsáveis por apenas 3% das exportações da indústria, que totalizaram 268.400 veículos em 1999.
Renault, Mercedes-Benz, Chrysler, Toyota e Honda venderam no exterior cerca de 8.000 carros. Dessas empresas, três - Renault, Toyota e Chrysler - informaram as previsões para este ano, que indicam crescimento de quase 200%.
A Renault enviou 2.383 Scénic e Clio para Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai em 1999. Neste ano, a previsão é de chegar a 21.000 unidades. A Toyota vendeu 646 Corolla para a Argentina e espera entregar 240 unidades ao mês em 2000. Já a Chrysler aguarda negociações com o Oriente Médio e, por enquanto
fala apenas em repetir o número do ano passado, de 650 Dakota para a Argentina.

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