São Paulo, 06 (AE) - As montadoras ameaçam demitir os trabalhadores que fizerem greve amanhã. "Enquanto houver greve a garantia de emprego está suspensa", disse hoje o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto. Pelo acordo automotivo emergencial os 260 mil trabalhadores de toda cadeia automotiva têm emprego garantido até 30 de novembro.
Pinheiro Neto ironizou as declarações do presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, que avisou a intenção de vencer a Anfavea pelo cansaço, realizando manifestações em frente da entidade. "Vai ficar complicado morar perto da Anfavea", disse. Pinheiro Neto reiterou que a entidade não concorda com a idéia de generalizar salários em todas as montadoras do País. "Não posso concordar em exportar os ordenados do ABC e do Vale do Paraíba para o resto do País", disse.
O repúdio a todo tipo de cartel foi, aliás, utilizado mais de uma vez por Pinheiro Neto ao divulgar hoje o desempenho da indústria automobilística em setembro. "Eu não quero ir para a cadeia, acusado de fazer cartel para negociar a lucratividade de cada montadora", disse o presidente da Anfavea em resposta à decisão dos representantes dos concessionários de recorrer ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), acusando as montadoras de abuso de poder econômico em razão dos altos preços dos carros.
A Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave) anunciou hoje que vai acionar o Cade porque a Anfavea não concorda em negociar margens de lucro. "Isto se chama cartel, que é proibido por lei", destacou Pinheiro Neto, que representa um setor que frequentemente era citado nos exemplos sobre cartel no meio empresarial. "Negociar a lucratividade que compete a cada montadora com a respectiva rede? Não tenho poderes e nem competência para isso", completou.
O presidente da Anfavea disse que não é possível criar no Brasil sistema de venda em que a montadora fatura o carro diretamente para o cliente, como propôs a Fenabrave. Ele explicou que isso impediria a cobrança de PIS e Cofins, levando o governo federal a perder em torno de 4% em impostos em cada carro. A idéia dos revendedores é criar o faturamento direto com comissionamentos fixos em cada entrega para o consumidor.
Previsão - O mercado de veículos no Brasil deverá encolher este ano 16,5%, a prevalecer a previsão feita hoje por Pinheiro Neto. Ele estimou que serão vendidos 1,28 milhão de veículos, incluindo os importados. No ano passado o mercado somou 1,534 milhão. Para o presidente da Anfavea, o volume seria menor ainda não fosse o acordo automotivo emergencial.
No mês passado, o último de vigência do acordo emergencial, não houve redução de estoques. Indústrias e concessionárias fecharam o mês com 132.008 veículos em estoque. Volume suficiente para 32 dias de vendas. Em agosto havia 130.368 unidades. A vontade dos revendedores de antecipar a retirada dos carros das fábrica antes do aumento de preços, em vigor desde o início do mês, também colaborou para o aumento dos estoques nas redes.
Do total, 101.545 unidades estão nos pátios dos concessionários. O ritmo de mercado indica que todos esses veículos serão vendidos a preços da tabela anterior ao aumento que chegou a 14% nos modelos populares. O presidente da Anfavea também refez as contas de exportação em função da retração nas vendas externas, principalmente para a Argentina. Ele prevê agora que o faturamento com exportações este ano somará US$ 3,5 bilhões, o que representa um decréscimo de 30% na comparação com o ano passado.

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