Montadoras acenam com bônus para facilitar acordo
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domingo, 23 de maio de 1999
Por Cleide Silva 
São Paulo, 24 (AE) - Governo, montadoras e trabalhadores se reúnem amanhã (25) em São Paulo para decidir a continuidade do acordo de emergência que baixou os impostos e, consequentemente, os preços dos carros, que vence quarta-feira. Para facilitar a renovação do acordo nas bases atuais, que estabelece o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos modelos populares em 5% e dos médios em 17%, as montadoras deverão propor a concessão de um bônus (desconto fixo) que pode ficar entre 2% a 3% sobre o preço atual do veículo.
A concessão do bônus era uma das condições feita pelo secretário do Desenvolvimento, Hélio Mattar, para que o governo aceitasse discutir a manutenção do acordo atual por mais 120 dias. Do contrário, a previsão é de que a renovação ocorra, mas em outras bases.
Uma possibilidade é a redução do IPI em níveis menores do que os atuais. Outra é privilegiar apenas o segmento dos modelos mais baratos, chamados de populares (com motor 1.0).
Estudo - Após receber um estudo feito pela consultoria Trevisan na semana passada, Mattar concluiu que os reajustes anunciados no início do mês pelas montadoras eram realmente necessários para cobrir custos com a defasagem cambial. Os aumentos chegaram a 12%, incluindo o reajuste oficial e a retirada dos bônus de até R$ 350 que vinham sendo concedidos desde o início do acordo, em 4 de março.
Uma segunda parte do estudo, que deve mostrar se as indústrias estão operando com prejuízos, deve ser entregue pela Trevisan até quarta-feira.
No encontro de amanhã, que será realizado no Palácio dos Bandeirantes, também participarão representantes do governador paulista, Mário Covas (PSDB), que deve definir pela manutenção ou não do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) dos automóveis em 9%. A redução desse imposto foi feita apenas por seis estados, mas há interessados em adotar a medida nessa segunda fase do acordo, caso, por exemplo, do Rio de Janeiro.
Vendas - O mercado de veículos está parado à espera da decisão. No fim-de-semana, mesmo com várias promoções, as vendas foram fracas. A rede Chevrolet, por exemplo, vendeu apenas 430 veículos em São Paulo. Segundo revendedores, normalmente é o dobro disso.
O presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Hugo Maia, calcula que as vendas no varejo neste mês não devem passar de 60 mil unidades, 50% a menos do que em abril.
O diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Eleno José Bezerra, disse que a Força Sindical (entidade à qual o sindicato é filiado) vai insistir para que as montadoras voltem atrás e mantenham o reajuste em no máximo 5%.
Ele também quer que as indústrias incluam no acordo de manutenção de empregos os cerca de 2 mil funcionários que atualmente estão com os contratos de trabalho suspensos temporariamente (o chamado lay-off).


