São Paulo, 1 (AE) - As montadoras estão oferecendo cotação de R$ 1,40 por dólar para os fornecedores que querem repassar aumento de custos com insumos importados. A informação é do presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes Automotivos (Sindipeças), Paulo Butori. A negociação da indústria automotiva com os fornecedores ocupou boa parte dos executivos do setor desde a mudança cambial, mas terá de ser interrompida por força do acordo emergencial, fechado na sexta-feira, que congela preços em troca da redução de impostos.
"Não sei o que vamos fazer agora", destacou Butori depois da reunião que celebrou o acordo. Segundo ele, os fabricantes de autopeças já não vinham aceitando o dólar a R$ 1 40. O acordo emergencial prevê não apenas o congelamento dos preços como também a estabilidade no emprego. Ou seja, montadoras, fornecedores e concessionários se comprometeram a não eliminar nenhum dos 500 mil postos de trabalho que congregam a cadeia. Pelas contas de Butori, a depender do ritmo atual das encomendas, já haveria necessidade de efetuar demissões. A indústria de autopeças, que emprega 170 mil empregados, trabalhou este mês no ritmo entre um terço e metade das encomendas das semanas anteriores. A expectativa é o quadro melhorar a partir do fechamento do acordo. A indústria de autopeças tem outro problema pela frente. Total de 150 empresas do setor - que empregam 31 mil empregados - está em Minas Gerais, cujo governo não aceita reduzir o ICMS. Isso provocará uma distorção com São Paulo, cujo governo já decidiu enviar à Assembléia Legislativa projeto para reduzir o imposto em três pontos porcentuais.
Mercado - Apesar de o acordo emergencial ter sido fechado, o mercado deverá continuar parado nesta semana. Primeiro, porque o decreto com a redução do IPI, que resultará na diminuição de preços, só dever ser publicado na quarta-feira.
Em São Paulo, alguns concessionários já avisam que não vão retirar carros das montadoras enquanto o ICMS não baixar. Ou seja, a expectativa de que a assembléia legislativa paulista aprove a diminuição do tributo poderá ser um novo fator para o mercado continuar engessado.

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