Porto Alegre, 11 (AE) - A montadora Sports Cars Brasil Ltda (SCB) comunicou hoje que desistiu de instalar sua fábrica no Rio Grande do Sul, pois recebeu este ano ofertas melhores de outros estados. A empresa distribuiu nota em que afirma que seus investidores "se viram forçados a considerar as garantias e incentivos oferecidos por outros estados brasileiros", sem mencionar seus nomes.
A companhia iria produzir em Farroupilha, na serra gaúcha, um carro de luxo sob licença da TVR (fabricante inglesa)
num investimento estimado em US$ 20 milhões. O presidente da montadora, Creighton Brown, que assinou a nota, ressaltou que não houve conflito nas negociações com o governo estadual. "A SCB gostaria de deixar claro que todas as tratativas com o governo transcorreram dentro da mais perfeita harmonia e cordialidade", afirmou.
Também em nota oficial, o governo gaúcho disse que "chegou ao máximo permitido por lei" na oferta de incentivos à SCB. O estado manteve os itens negociados pela administração anterior, que incluíam retorno de 75% do ICMS mensal gerado pelo empreendimento. O benefício seria amortizado - após 60 meses de carência - durante 96 meses, com juros de até 6% e correção monetária de 90% do IGP-M. "Este resultado (desistência) deve-se à danosa política de guerra fiscal imposta pelo modelo econômico que vivemos no País", afirmou o governo no comunicado.
Para o Palácio Piratini, a decisão da montadora está baseada em amplos "incentivos materiais concedidos por outros estados, além da forte renúncia fiscal amparada no regime automotivo que favorece especificamente a Região Nordeste".
Esta foi a segunda fabricante de automóveis a desistir de empreendimento no Rio Grande do Sul durante o governo Olívio Dutra (PT). Anteriormente, a Ford decidiu cancelar os projetos no estado.
Crítica - O deputado estadual Francisco Appio (PPB), que participou das negociações com a SCB, criticou o secretário do Desenvolvimento, Zeca Moraes, encarregado das tratativas, e disse que Bahia, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina "têm assediado bastante os investidores". Appio considerou que o governo demonstra falta de vontade política e poderia ter oferecido incentivos indiretos, além dos previstos em lei, como treinamento de pessoal.
A unidade da SCB produziria 150 carros por ano - a fabricação é artesanal - e geraria 80 empregos diretos, conforme dados do governo. O assessor do presidente da SCB, Eliseu Carvalho, disse que a empresa ainda não escolheu o estado que sediará sua unidade. Ele não quis revelar quais são os candidatos nem os investidores que participam do projeto, alegando que estes dados são reservados.

mockup