São Paulo, 20 (AE)- A Monsanto informou que se o plantio de soja transgênica não for liberado até meados de outubro o Brasil poderá não ter plantio comercial do produto nem na safra 2000/2001. A multinacional tenta derrubar a liminar que proíbe o plantio antes desse prazo.
O plantio comercial nesta safra já está inviabilizado, segundo Mário Carvalho, gerente comercial da Monsoy, divisão da Monsanto responsável pela soja transgênica Roundup Ready. De acordo com Carvalho, meados de outubro é o prazo máximo para que a soja possa ser plantada pelos multiplicadores de semente conveniados com a multinacional. Esses sementeiros precisam plantar a soja em outubro para colher em abril e beneficiar a semente até julho de 2000. "Só assim, haverá tempo hábil para pôr sementes geneticamente modificadas no mercado para a safra seguinte", afirmou Carvalho.
A produção de soja transgênica em 99/2000 no Brasil é impossível. "Produto transgênico, só se for contrabandeado, como se diz que está acontecendo no Rio Grande do Sul", afirmou. Mário Carvalho voltou a criticar a liminar que está impedindo a produção e pesquisa de soja transgênica no Brasil. A liminar, concedida em dia 10 de agosto, a pedido do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), Ibama e Greenpeace, exige que seja feito um relatório de impacto ambiental (EIA-Rima) antes que o plantio da variedade seja liberado. A liminar também aponta a obrigatoriedade de rotulagem de materiais transgênicos.
Carvalho afirma que os estudos técnicos são suficientes para mostrar que a soja é inofensiva ao meio ambiente. "Além disso, já fomos ao Ibama e eles simplesmente não têm um modelo de como deveria ser este EIA-RIMA para transgênicos", criticou o gerente comercial da Monsoy. "Talvez se tívessemos batizado de EIA-RIMA os estudos técnicos que apresentamos para a aprovação da cultivar tudo já estivesse resolvido", afirmou. Ele afirma que a liminar do juiz apresenta uma impossibilidade técnica: "Como poderíamos fazer um EIA-RIMA se não temos permissão para fazer qualquer plantio das sementes?", questiona.
Carvalho disse que várias organizações ligadas à pesquisa e produção já se manifestaram a favor da pesquisa e multiplicação de organismos geneticamente modificados. "No XI Congresso Brasileiro de Sementes e no Congresso Brasileiro de Agronomia, entidades como a Abrasem, Universidade de Viçosa, a Embrapa e a Federação Latino-Americana de Sementes assinaram uma carta recomendando a continuidade de estudos na biotecnologia para impedir que o Brasil fique defasado", disse. "Acho que com o aumento do apoio à tecnologia, é possível que tenhamos mais condições de reverter esta situação."

mockup