Brasília, 12 (AE) - Apesar de toda a polêmica sobre o cultivo da soja transgênica no Brasil - autorizado pelo Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CNTBio) -, a Monsanto do Brasil quer colocar no mercado nacional, a partir de setembro, as primeiras sementes geneticamente modificadas. Segundo o gerente de biotecnologia da Monsanto, Geraldo Berger, a empresa entrará com os pedidos de proteção e registro das variedades de soja transgênica no Ministério da Agricultura nos próximos 30 dias. O registro é a condição legal para que a empresa possa comercializar o produto no mercado.
De acordo com Geraldo Berger, a Monsanto iniciou recentemente a colheita das sementes nas "milhares" de lavouras experimentais espalhadas pelo País. O objetivo é ocupar cerca de 1% do mercado nacional de sementes de soja com variedades transgênicas no plantio da safra 1999/2000. "Temos áreas de experimentação em praticamente todos os Estados produtores de soja no Brasil", disse. Como os experimentos são realizados com o herbicida Roundup Ready (RR), que ainda não tem registro oficial do Ministério da Agricultura, a maior parte das sementes colhidas será reutilizada em outras áreas de lavouras experimentais nos próximos anos. Geraldo Berger disse que a empresa conseguiu liminar no Rio Grande do Sul contra ação que interditou área de experimentação e já está colhendo as sementes transgênicas no Estado.
A CTNBio vai reunir-se amanhã e quinta-feira, quando deverá analisar pedido do Ministério da Agricultura para restringir as áreas de plantio experimental no País. Das 626 liberações de organismos geneticamente modificados autorizados até hoje pela CTNBio para oito produtos agrícolas, apenas 30 foram fiscalizadas, ou 4,8% do total. O Ministério da Agricultura considera esse fato "um risco" e, como um dos responsáveis pela fiscalização de organismos transgênicos, quer um maior controle sobre as lavouras experimentais.
Outro pedido protocolado pelo Ministério que deverá ser discutido na reunião é a obrigatoriedade de que os processos apresentados à CTNBio tenham tradução juramentada e que os textos não fiquem somente em inglês, como grande parte dos documentos apresentados pela Monsanto sobre a soja transgênica. Isso deverá retardar a análise do pedido da AgrEvo para plantio comercial do milho Liberty Link (modificado geneticamente), já que o processo tem cerca de 500 páginas, em inglês. Na quinta-feira, o ministro da Ciência e Tecnologia, Bresser Pereira, vai reunir-se com os outros cinco ministros que têm representantes na CTNBio, na tentativa de unificar o discurso governamental sobre os transgênicos. Amanhã, em Washington, o secretário de Agricultura dos Estados Unidos, Dan Glickman, vai perguntar ao ministro da Agricultura, Francisco Turra, como está o processo para o plantio da soja transgênica no Brasil. Na agenda apresentada para a reunião bilateral, os Estados Unidos demonstraram interesse na questão dos transgênicos e dos hormônios para engorda de gado.

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