São Paulo, 12 (AE) - A Monsanto do Brasil vai destinar US$ 60 milhões dos US$ 800 milhões de investimentos programados até 2003 para a implantação de um laboratório de biotecnologia, em Uberlândia (MG). No laboratório serão desenvolvidas sementes geneticamente modificadas de soja e milho, com características especiais para cultivo no solo do cerrado brasileiro, a partir de cultivares já adaptadas à região.
"A checagem do DNA dessas plantas vai aprimorar o processo de identificação de características de produtividade e qualidade desejáveis. Mas, para que isso ocorra, é preciso saber quais genes procurar", afirma Belmiro Ribeiro Silva Neto, diretor de comunição da Monsanto do Brasil. O primeiro passo para o desenvolvimento de transgênicos específicos para o solo e clima brasileiros é o mapeamento dos genes que determinam a altura da planta, o tamanho da espiga - no caso do milho - e a resistência a pragas e doenças, entre outras características."Através do conhecimento do código genético, será possível o desenvolvimento de variedades cada vez mais adequadas às condições brasileiras de cultivo, incluindo solos ácidos ou com alto teor de alumínio", adianta Silva Neto.
A partir do próximo ano a empresa pretende lançar no mercado brasileiro as novas variedades de milho e soja, com sementes modificadas. Isso se a empresa conseguir liberar o plantio comercial de transgênicos, que está embargado pela Justiça. Em um segundo momento, Uberlândia poderá desenvolver variedades de milho e soja transgênicos adequadas para os diversos microclimas do Brasil. A opção pelo município mineiro se deve a questões geográficas: a região tem áreas variando de 400 a 1.000 metros, e o clima garante duas safras por ano. Além disso, a região está no centro das áreas agrícolas do País. Com esse perfil podem ser desenvolvidas em Uberlândia sementes para cultivo em todo o País.
Herbicidas - No pacote das Roundup Ready da Monsanto estão associados os herbicidas da família Roundup, cujo princípio ativo é glifosato. A patente do glifosato, desenvolvido há 25 anos nos Estados Unidos, será de domínio público até setembro deste ano. Ou seja, outras indústrias químicas poderão produzir herbicidas com o mesmo princípio ativo. A DuPont e mais cinco empresas do segmento estão licenciadas pela Monsanto para utilizar o químico. Para não perder mercado, a Monsanto desenvolve novos tipos de herbicidas da família Roundup. Mas garante que o pioneiro ainda é usado, porque as ervas não apresentam resistência a ele.