Monsanto forneceu informações sobre transgênicos para vereadores no RS
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domingo, 26 de setembro de 1999
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 27 (AE) - A Monsanto instruiu vereadores de cidades do Rio Grande do Sul para conseguir a aprovação de leis municipais que autorizam o plantio de produtos geneticamente modificados. A companhia, que aguarda liberação judicial para comercializar cinco variedades de soja transgênica no País, forneceu os dados que embasaram o projeto do vereador Luís Carlos Cordeiro (PSDB), que será votado hoje à noite em Redentora, no norte do Estado. "Consegui os dados em contato com a Monsoy (divisão da Monsanto para o setor de soja)", confirmou o vereador à Agência Estado.
Ele passou, por fax, cópia da justificativa ao seu projeto, que é idêntica à que acompanhou as propostas já aprovadas nos municípios de Cruz Alta e Jóia e contém trechos iguais a alguns que aparecem no caso de Tupanciretã. De acordo com Cordeiro, todas as informações foram repassadas pela assessoria de comunicação da Monsanto, de São Paulo. O vereador também repassou, por fax, à Agência Estado, o texto que lhe foi enviado pela empresa.
O documento de seis laudas, denominado "Biotecnologia: Por que defendê-la", destaca que "hoje, a área plantada com vegetais geneticamente alterados em países como Estados Unidos, Canadá, México, Argentina, Austrália, áfrica do Sul, França e Espanha já supera os 28 milhões de hectares". Segundo o texto, "defender a biotecnologia não é uma questão técnica. É um direito do agricultor". E destaca que "no Brasil, estudos realizados pela Embrapa indicam uma redução de 20% nos custos de produção da soja transgênica, um dos primeiros produtos agromodificados a ser comercializado pela Monsanto".
O documento assinala ainda que a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) concluiu, em setembro de 1998
que a "soja transgênica Roundup Ready, desenvolvida pela Monsanto, não oferece risco para a saúde alimentar do homem dos animais e do uso pecuário e nem para o meio ambiente". O vereador Luís Carlos Cordeiro, entretanto, disse que apresentou o projeto de lei mesmo sem ter "segurança" de que a soja transgênica não é prejudicial à saúde. "Mas não há também prova em contrário", ressalvou.
De acordo com ele, o município cultiva cerca de 5 mil hectares de soja e que no "cotidiano" sabe que alguns produtores já cultivam de forma irregular sementes geneticamente modificadas. Cordeiro sabe que a lei não terá efeitos práticos, pois depende de regulamentação federal, em primeiro lugar, e estadual, em segundo. "É mais uma forma de pressão para mostrar que os agricultores querem o avanço tecnológico", comentou.
A Agência Estado solicitou entrevista à Monsanto, mas a assessoria de comunicação da empresa informou que a companhia só ira se pronunciar amanhã (28).


