Brasília, 09 (AE) - Se o Brasil quiser mesmo ampliar suas exportações agrícolas não poderá cometer o "absurdo comercial" de impedir que o produtor rural plante alimentos transgênicos, defendeu hoje o novo presidente da Monsanto do Brasil para a agricultura, Gustavo Leite. Ele participou de audiência com o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, acompanhado do presidente do Conselho Consultivo da empresa, Antônio Carlos Queiroz e com o diretor de assuntos corporativos, Rodrigo Lopes Almeida, e assinalou as vantagens da tecnologia.
Segundo ele, a soja roundup ready reduz os custos de plantio de US$ 70 a US$ 100 por hectare. "A maioria dos agricultores brasileiros não pode ser prejudicada. Não estamos dizendo que o agricultor tem de plantar, mas ele não pode ser impedido", afirmou. Os executivos da Monsanto disseram estar confiantes de que as pendências jurídicas para a liberação do plantio da soja transgênica roundup ready serão resolvidas ainda este mês, permitindo a comercialização das sementes para a próxima safra. "A soja começa a ser plantada no final de outubro e estamos aguardando a decisão da Justiça", disse Queiroz. Os dirigentes da Monsanto lembraram que o juiz presidente do Tribunal Regional Federal, Plauto Afonso Ribeiro, remeteu os processos relativos aos transgênicos para a 2ª Turma do TRF para que houvesse uma decisão em agosto.
Também destacaram a posição do governo, através de agravo regimental apresentado pela Advocacia Geral da União há duas semanas, defendendo a liberação do plantio da soja transgênica. "Não temos dúvidas de que estamos dentro da lei", disse o presidente do conselho consultivo. Ele afirmou ainda que a Monsanto é favorável à rotulagem dos alimentos que contenham produtos modificados geneticamente. Para Gustavo Leite é preciso questionar a quem não interessa a liberação da soja transgênica no País. Entre os opositores da tecnologia, citou todas as empresas que vendem produtos para os sojicultores e as empresas de biotecnologia que estão dois ou três anos atrás nas pesquisas e, por isso, teriam interesse numa moratória.
O presidente do conselho consultivo Queiroz lembrou que, desta vez, ao contrário do que afirmam movimentos ambientalistas
o Brasil não está servindo de cobaia para o primeiro mundo. "Essa tecnologia já foi implantada há quatro anos nos Estados Unidos, e se há cobaias são os americanos". Queiroz também citou pesquisa feita pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA) em que 80% dos agricultores responderam que pretendem utilizar sementes transgênicas. Justiça - O plantio da soja transgênica está proibido por decisão liminar do juiz da 6ª Vara Federal de Brasília que obrigou um estudo prévio de impacto ambiental. A Monsanto, de acordo com os executivos, buscou respaldo jurídico e está convicta que seguiu toda a legislação da CTNBio. "No Brasil não existe regulamento para fazer EIA/Rima em plantas", disse Queiroz.
Sobre a instalação da fábrica do herbicida Roundup Ready na Bahia, Queiroz garantiu que não houve ingerência política, e sim razões técnicas para a escolha. "Analisamos três outros Estados no Brasil e outras possibilidades na Argentina e nos Estados Unidos". A empresa vai investir R$ 600 milhões no Polo de Camaçari, na Bahia. Queiroz, anunciou também que a empresa não vai utilizar a tecnologia "terminator", uma modificação genética que faz com que a planta torne-se estéril ao atingir a maturidade. "Não fizemos pesquisas com terminator, mas com uma tecnologia parecida, e estamos descontinuando esses experimentos", garantiu.

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