Londrina - Quem queria ter uma linha telefônica tinha que ficar em fila de espera nas empresas públicas do setor. Era um bem tão valioso que era declarado no Imposto de Renda. É uma época que parece muito remota, considerando a evolução acelerada da telefonia no Brasil desde a publicação da Lei Geral de Telecomunicações - mas o monopólio estatal chegou ao fim há apenas 15 anos.
''Eu já aluguei telefone. Meu pai é quem tinha linha da Sercomtel. Era muito caro. Hoje, é muito fácil ter telefone'', recorda o farmacêutico Edval de Assis, de 47 anos. Ainda assim, ele não se rendeu aos atrativos do celular.
''Para mim, não mudou tanta coisa. Todo mundo na minha família tem celular, menos eu. Minha filha uma vez me falou que ia me dar um celular, mas eu não quis. Eu disse: 'Quem quiser falar comigo, é só ligar na farmácia''', relata Assis.
Os mais jovens sequer viveram a época da telefonia sob monopólio estatal, ou têm apenas uma lembrança distante daquele período. É o caso da dentista Patrícia Hirashma, 29 anos. ''O que eu me recordo era que tinha que comprar linha. Nós tínhamos um vizinho que tinha '300 mil' linhas e alugava'', afirma. Patrícia usa celular desde os 17 anos. Elogia a praticidade do serviço, mas faz ressalvas. ''Acho que ainda tem muito o que melhorar. O sinal fica caindo, depois volta'', critica.(F.G.)

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