Um acidente com um monomotor que tinha partido de São José do Rio Preto (SP) e chegava a Londrina, na manhã de ontem, causou a morte de duas pessoas. O acidente aconteceu por volta das 8h30, cerca de uma hora depois que a aeronave tinha decolado do aeroporto paulista. O monomotor de prefixo PR-JCR, modelo Bonanza A36, se chocou contra um morro e explodiu, deixando somente uma das asas, a cauda e o motor intactos. Morreram no acidente o empresário João Carlos Ribeiro, 54 anos e o piloto da aeronave, Valter Luis Torres, ambos de São José do Rio Preto. Ribeiro era presidente da Vetnil Group, empresa de vacinas para o mercado pet e equinos. A empresa fundiu-se com a londrinense Vencofarma, especializada em soros antiofídico e antitetânico, há cerca de seis meses.
O local do acidente, uma mata fechada, é conhecido por moradores da região como Serra da Goiabeira e fica no Sítio Lunar, na região do Limoeiro. A área está a cerca de oito quilômetros da cabeceira do Aeroporto de Londrina. No momento do acidente e durante toda a manhã de ontem havia muita neblina na região. Segundo informações obtidas no aeroporto, o morro em que a aeronave se chocou tem cerca de 150 a 200 metros de altura e o monomotor bateu em uma altura aproximada de 80 a 100 metros. A equipe de resgate teve que andar cerca de dois quilômetros até o local do acidente.
O agricultor Edivaldo Francisco de Oliveira, que trabalha num sítio próximo ao local, chegou a ouvir o barulho da explosão. ''Foi coisa feia. Eu escutei um barulho e só via aquele monte de fumaça no meio do nevoeiro. Tinha muita neblina. A gente nem estava conseguindo trabalhar direito'', comentou.
Curiosos percorreram o local de difícil acesso para ver os escombros da aeronave. Enquanto a equipe do Corpo de Bombeiros aguardava a chegada dos funcionários do Instituto de Criminalística, o celular de uma das vítimas tocava sem parar. O aparelho só foi retirado com a chegada dos peritos.
O motor da aeronave foi arremessado alguns metros e ainda havia fogo nos escombros quando a equipe da FOLHA chegou no local. Os bombeiros tiveram dificuldade para trabalhar por conta da grande quantidade de mata e lama. Soldados isolaram a área e percorriam a região até o momento em que foi confirmado que havia apenas duas vítimas.
De acordo com as primeiras avaliações dos peritos, o piloto estaria voando sem visibilidade por causa do nevoeiro. ''Ele estava voando baixo e muito provavelmente ele não caiu, chocou direto por não ter conseguido ver o morro que estava encoberto pela neblina. Dá para ver claramente aqui no local a quantidade de árvores que a aeronave foi quebrando até o momento em que bateu'', explicou o perito do IC, Luis Victor Val Myszkowski.
Os bombeiros tiveram que cortar as ferragens do monomotor para conseguir retirar um dos corpos. O proprietário do sítio onde a aeronave caiu, que preferiu não se identificar, ajudou a polícia com o transporte dos corpos, disponibilizando um trator. Os corpos foram encaminhados para o Instituto Médico Legal (IML) de Londrina e deveriam ser liberados na noite de ontem para os familiares.

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