Miami, 20 (AE-ANSA) - Uma das avós do pequeno náufrago cubano Elián González quis desertar em Miami, segundo teria afirmado ao jornal The Miami Herald a monja Jeanne OLaughlin, em cuja residência as duas avós se reuniram com o menino em janeiro último.
"Decidi falar agora. Tenho de fazer o que seja necessário para ajudar esse menino", disse OLaughlin ao diário.
A religiosa fez os comentários dois dias antes de ter início em Miami as audiências judiciais sobre o futuro da criança de seis anos, e enquanto ainda persistem os ecos da detenção de um suposto espião de Fidel Castro no escritório de Imigração e da expulsão de um diplomata cubano.
A irmã OLaughlin garantiu que as duas avós conversaram com ela em particular e que uma delas, Mariela Quintana, falou com ela separadamente por cinco minutos.
Segundo a religiosa, essa conversa ficou gravada em vídeo e a avó de Elián expressou então o desejo de desertar de Cuba.
O juiz federal William Hoevler começará na terça-feira a examinar a demanda dos parentes de segundo grau de Elián, exilados em Miami, que desejam obrigar o Serviço de Imigração Americano (INS) a conceder asilo político ao menor.
OLaughlin aparece como uma figura controvertida no caso do menino náufrago, já que sua residência em Miami Beach foi escolhida como "terreno neutro" para o encontro de Elián com suas avós, Mairela Quintana e Raquel Rodríguez, em meados de janeiro.
Ao término do encontro, OLaughlin surpreendeu a todos ao declarar à imprensa que, ao contrário do que pensava anteriormente, o menino não deveria regressar a Cuba.
Nas declarações publicadas hoje no Herald, a religiosa afirmou que uma das avós admitiu que o pai do menino, Juan Miguel González, costumava bater na mãe, Elizabeth Brotons.
O pai, residente em Cárdenas, Cuba, tem pedido com veemência a volta de seu filho e a secretária de Justiça americana, Janet Reno, tem se manifestado a favor do regresso de Elián aos cuidados paternos.
O pai acusa que seu filho "foi sequestrado" pela "máfia cubana de Miami".
Entretanto, OLaughlin afirmou ao Herald que as avós indicaram que Juan Miguel González sabia sobre a travessia que o menino iria fazer com sua mãe para se refugiarem nos Estados Unidos.
Em 25 de novembro de 1999, Elián foi resgatado por pescadores da Flórida, quando flutuava numa câmera de pneu.
O menino sobreviveu ao naufrágio no qual morreram 10 pessoas, incluindo sua mãe e o noivo dela.
A versão disseminada pelo governo cubano é que a mãe de Elián foi forçada a realizar a viagem por seu novo companheiro, a quem é atribuído um comportamento "abusivo e violento".
OLaughlin afirmou ao The Miami Herald que decidiu manter segredo sobre seus encontros com as avós de Elián em parte para protegê-las.
Entretanto, ela disse que mudou de opinião a pedido dos advogados de Lázaro González, tio-avô do menino e atualmente com sua custódia, que consideram que suas informações podem ajudar a manter Elián em Miami.
The Miami Herald assinalou que as revelações de OLaughlin poderiam ser questionadas, já que a religiosa reuniu-se com as avós sem intérprete, apesar de seu limitado domínio da língua espanhola.

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